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Luiz Felipe d’Avila:É nos momentos de crise que emergem líderes novos

Roda Viva entrevista cientista político sobre atual situação do país

TV Cultura

 

Transmitido em 24 de jul de 2017

O cientista político Felipe d’Avila, fundador e presidente do Centro de Liderança Pública, entidade sem fins lucrativos que procura modernizar e aperfeiçoar a atividade política no país, formado pela Universidade Americana, em Paris, com mestrado em administração pública pela Harvard Kennedy School, para falar sobre reforma política e eleitoral, sistemas de governo (presidencialismo e parlamentarismo) e modelos econômicos, entre outros assuntos.

 

Luiz Felipe montou a editora que criou revistas como “República” e “Bravo!” e é fundador e presidente do Centro de Liderança Pública (CLP), uma organização com foco em promover novas opções para a política brasileira, além de ter publicado recentemente o livro “10 Mandamentos – Do país que somos para o Brasil que queremos”, em que, ao buscar as origens de uma espécie de “capitalismo de compadrio” e “sentimento antiliberal” existentes no Brasil, aproveita para apontar soluções para a atual crise. 

 

"O primeiro mandamento é a mudança do sistema de governo, a adoção do parlamentarismo. O presidencialismo no Brasil não foi escolhido por conta de suas virtudes - como divisão dos poderes, o equilíbrio entre o Executivo, Legislativo e Judiciário. Nós escolhemos esse sistema porque ele concentra o poder nas mãos do presidente da República. É exatamente o sistemea centralizador e autoritário que fascinava os nossos constituintes", pontua Felipe d'Avila. 

 

“As reformas políticas e econômicas no Brasil acabam não dando os resultados esperados pela sociedade porque são atalhos que evitam mudanças estruturais. Num livro publicado em 1990, eu já defendia que precisávamos fazer a reforma do sistema tributário e a adoção do voto distrital. E isso vale para hoje. Precisamos de reformas profundas para garantirmos um futuro melhor para a próxima geração”.

 

“A reforma da previdência deveria concentrar-se no setor público. Esse é o maior problema. E precisa estabelecer a igualdade de regras para todos os brasileiros. De acordo com a nossa tradição, a igualdade parece uma injustiça. Num país tão desigual, parece uma aberração qualquer lei que valha para todos”. 

 

“O sistema atual de votação distorce a eleição. Existe o que chamo de cheque especial do partido político. Deputados eleitos com um milhão de votos, por exemplo, elegem deputados do partido que receberam 30 mil votos. Outros candidatos, com 100 mil votos, ficam de fora. Na Câmara, só 35 entre 513 parlamentares foram eleitos com votos próprios. A reforma político-eleitoral é fundamental para a renovação das lideranças políticas”.

 

“Nós temos de defender uma agenda de país. Essa história de personalismo, de salvador da pátria não cabe. Nesta agenda, cada cidadão tem uma posição específica. Hoje, acho que tenho uma participação importante para colaborar com o debate político. Amanhã, se tivermos uma agenda e eu achar que posso contribuir de uma forma mais atuante num cargo eletivo ou político, eu evidentemente consideraria me candidatar”.

 

“A Lava Jato trouxe à tona o grande problema da corrupção ─ e não só no sentido financeiro. Houve uma corrupção de valores. Esse resgate da confiança não ocorrerá apenas com o fechamento das torneiras de onde jorra dinheiro roubado dos cofres públicos. É necessário restaurar princípios. É nos momentos de crise que emergem líderes novos. Foi o caso de Ulysses Guimarães na ditadura militar, ou de Fernando Henrique Cardoso em meados dos anos 90. Também por isso, acho que teremos uma forte renovação política nas eleições do ano que vem”.

 

A bancada de entrevistadores reuniu Christian Lohbauer (mestre em ciência política pela Universidade de São Paulo e professor de Relações Internacionais), José Fucs (repórter especial do Estadão), Thais Bilenky (repórter da Folha) e Thais Herédia (colunista de economia do portal G1 e comentarista da GloboNews). Com desenhos em tempo real do cartunista Paulo Caruso, o programa foi transmitido ao vivo pela TV Cultura.

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