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A noção de solidão coletiva em “Cem anos de solidão”

Por Pérola Cattini

Da coluna Bem-Estar
Artigo de responsabilidade do autor

Gonzalo Celorio analisa o conceito de 'solidão' no romance de Gabriel García Márquez, Nobel de Literatura em 1982

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ColunaBem-Estar

Para o escritor e crítico literário mexicano Gonzalo Celorio, autor de romances como Amor próprio, de 1991, e Tres lindas cubanas, de 2006 (ambos não foram traduzidos no Brasil), Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez, é uma obra que deveria ser pensada a partir da noção de "solidão coletiva", e não da solidão individual.

"É um conceito de solidão bastante distinto", afirmou ao Centro Gabo, entidade que coordena a obra do escritor colombiano desde a sua morte, em 2014. "Não vi personagens mais acompanhados na história da literatura universal do que os que protagonizam o livro. Todos estão acompanhados o tempo todo. O que é solitário é o povoado, Macondo -- é sua condição de marginalidade", continuou.

Conhecido do grande público latino-americano, Cem Anos de Solidão foi publicado em 1967 (a primeira edição no Brasil saiu em 1968 pela Sabiá), ano em que Gabriel García Márquez já estava morando no México.

Ele foi considerado o principal livro já feito no continente americano e o segundo mais importante em língua espanhola, depois de Dom Quixote de la Mancha, de Cervantes. Primeiramente repórter, "Gabo", como é conhecido em seu país, é um dos mestres das atuais faculdades de jornalismo -- um livro essencial para a formação é Relatos de um náufrago, escrito por ele em 1955.
 
A obra perpassa cem anos da história da família Buendía em uma cidade fantasiada pelo autor, Macondo. Durante esse tempo, seus membros vão vivenciando acontecimentos históricos, como as guerras entre liberais e conservadores na Colômbia, a chegada das companhias bananeiras estadunidenses ao Caribe e a expansão das novas tecnologias.
 
Até hoje há um imenso debate sobre qual história “Gabo” tentou contar na obra: a da sua cidade natal, Aracataca, no interior da província de Magdalena, cujas descrições com Macondo são semelhantes, a da Colômbia, pelos registros históricos, ou a da própria América Latina. Seja como for, em 1982, ele recebeu o Prêmio Nobel de Literatura muito por causa do livro.

De acordo com Celorio, o povoado inventado por Gabriel García Márquez precisa ser compreendido pelos seus leitores como um lugar solitário porque está distante do mundo, mas que, em seu interior, abriga uma população unida entre si por vínculos do cotidiano e pela relação paralela dos seus destinos.

"Dentro da marginalidade de Macondo há uma grande coletividade e uma grande companhia", sustenta ele. "É uma vida doméstica cheia de interrelações, amores e conflitos humanos que fazem com que Cem anos de solidão seja um romance admirável".

Assim, Celorio propõe como chave de leitura o conceito de "solidariedade", não de "solidão". "Eu penso mais em 'cem anos de solidariedade' do que 'cem anos de solidão', brinca. "Macondo é uma grande companhia, uma grande solidariedade de todos os personagens em conflito, rivalidades, inimizades, pleitos, lutas, discrepâncias ideológicas, invejas... mas todos estão juntos e interagem. Essa interação, acredito, tem mais a ver com solidariedade", finalizou.

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