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Transição capilar aumenta autoestima e empodera

Por Pérola Cattini

Da coluna Bem-Estar
Artigo de responsabilidade do autor

Istock Photos

ColunaBem-Estar

Transição capilar: certamente, você já ouviu algo relacionado a este tema. O assunto que se tornou frequente e ganhou manchetes é bem mais profundo do que podemos imaginar, e vai além de simplesmente caracterizar ou não a situação de um determinado tipo de cabelo.

Durante muitos anos, os fios com curvatura – cacheados e crespos – foram subjugados em uma sociedade colonizada pelas nações europeias. Fios totalmente lisos, alinhados e sem frizz passaram a caracterizar o único padrão de beleza aceito como ideal. A consequência dessa postura foi uma grande onda de procedimentos alisantes aplicados nos cachos e crespos.

A questão, contudo, é que mais do que levar as pessoas, especialmente mulheres, a uma condição desconfortável quanto à sua aparência e beleza original, essa “padronização do belo” provocou uma descaracterização cultural sem precedentes, impactando, especialmente, a cultura afro.

No entanto, este cenário passou a sofrer uma reviravolta de grande valor. Movimentos sociais negros entraram em ação para promover o reconhecimento e a representatividade da cultura afro expressa principalmente pela aparência. Além disso, a internet também foi uma importante auxiliadora na disseminação de inspirações, informações e dicas sobre os cuidados para fios com curvatura. Essa revolução, de redescobrir valores e resgatar identidade, diante de uma sociedade e de uma mídia tendenciosas, é mais do que uma busca por liberdade, é um ato político.

Então, com essas poderosas influências, um grande número de moças e mulheres que, até então, se viam reféns dos processos químicos e mecânicos para alisamento capilar tomaram a decisão pessoal de abandonar os fios alisados para assumir suas madeixas no formato original: cacheadas, crespas e/ou crespíssimas. Essa primeira atitude marca o início da transição capilar.

A realidade da transição capilar, contudo, não é simples de ser vivenciada. Ao deixar de alisar os fios, os cabelos com curvatura não voltam sozinhos à característica original. Nessa fase, encontrar-se em um processo de autoaceitação e autoconhecimento é inevitável. Logo, questões como “Sou feliz com meu cabelo?” ou “Sinto-me livre e confortável com a condição atual dos meus cabelos?” são determinantes para que uma nova decisão seja tomada: cortar ou não cortar a parte alisada?

O big chop representa outra vertente da transição. Mas isso não significa que o “grande corte” seja para todo mundo. Ao encontrar-se com sua verdadeira beleza, autoestima e poder de decisão, quem vivencia a transição capilar precisa certificar-se de seus limites e priorizar o seu bem-estar. Caso a pessoa não se sinta confortável em fazer o big chop, é possível apostar em outras opções para lidar com as duas texturas dos fios, como box braids, técnicas de texturização capilar e uso de turbantes e faixas.

Independentemente da forma escolhida para passar e vencer a transição capilar, esta escolha é capaz de pôr em xeque muitos sentimentos de baixa autoestima e inferioridade vivenciados durante muito tempo por um número indizível de mulheres que buscaram, a todo custo, sentir-se aceitas. Sem nenhuma dúvida, essa transformação de pensamento e encontro com quem você realmente é torna as donas de cabelos cacheados, crespos e crespíssimos muito mais fortes, empoderadas e seguras de si, quer a sociedade goste, quer não.

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