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Indianos que invadiram as universidades da Austrália

Por Débora Ramos

Da coluna Educação e Carreira
Artigo de responsabilidade do autor

País oceânico recebeu 60 mil estudantes da Índia no ano passado; expectativa é de que matrículas para ano letivo de 2019 batam recorde

Istock Photos

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Por décadas, os Estados Unidos permaneceram como o principal destino para estudantes indianos que queriam adicionar uma experiência estrangeira aos seus currículos. No entanto, essa tendência está mudando lentamente devido às novas restrições de vistos para estudantes, à desvalorização da rúpia e o crescimento da intolerância contra estrangeiros nos EUA.

Assim, a nova onda de estudantes indianos está indo em direção a Austrália. De acordo com dados publicados pelo jornal India Today com base em um relatório do alto comissário australiano em Nova Délhi, Rod Hilton, cerca de 68 mil jovens indianos foram para para o principal país da Oceania em 2017, um número 14% maior do que o do ano anterior. Outra pesquisa, feita pelo banco HSBC na Índia, mostrou que 46% dos pais de adolescentes e jovens consideram enviar seus filhos para a Austrália para estudar.

Em fevereiro do ano passado, 60 mil indianos se matricularam em universidades e escolas de intercâmbio na Austrália. Além das principais cidades receptoras, como Melbourne e Sydney, eles também vão para regiões ainda não tão exploradas, como Gold Coast, Adelaide e as cidades do nordeste australiano.

Os dados de brasileiros na Austrália indicam que as cidades mais procuradas pelos estudantes daqui ainda são Sydney e Brisbane, na Costa Leste, e Perth, na Costa Oeste. Em média, o período de estadia é de seis meses e a busca vai desde cursos de inglês até a conclusão de modalidades de pós-graduação EAD. Ainda que tenha tido um crescimento significativo no número de estudantes de graduação em universidades do país no período, a maioria dos que viajavam do Brasil à Austrália buscavam aprimorar o inglês. Alguns observadores da área ainda afirmam que o fenômeno persiste.

Segundo o governo australiano, entre junho de 2015 e o mesmo mês de 2016, 43,9 mil brasileiros viajaram à Austrália, figurando no grupo das 16 nacionalidades que mais chegaram à nação oceânica no período. As viagens curtas para o país bateram um recorde ao registrar um aumento para 48,1 mil chegadas nos doze meses anteriores a janeiro de 2017. A taxa significou um crescimento de 181%, ou 31 mil pessoas, em relação às viagens curtas no mesmo período até janeiro de 2007.

Desde os anos 2000, novos visitantes passaram a chegar com altos níveis educacionais e saídos de classes médias e altas do país. A maioria eram jovens procurando intercâmbio na Austrália ou viajantes ocasionais. Estatísticas do censo australiano de 2011 sugere que 79% dos imigrantes já trabalhavam no país à época da pesquisa - a maioria estava empregada em ocupações qualificadas, profissionais ou comerciais.

De acordo com o Departamento de Imigração e Proteção de Fronteiras, 1.141 brasileiros conseguiram a cidadania australiana entre os anos de 2015 e 2016. Apesar do número não ser muito se comparado com os britânicos e os indianos, que viram mais de 20 mil pessoas conseguirem a cidadania no mesmo período, a taxa é similar às imigrantes do Canadá, de Fiji e da Alemanha.

Entre os indianos, três fatores incentivam a migração em massa para a Austrália: em primeiro lugar, as posições das universidades do país nos rankings internacionais educacionais -- que demonstram que elas possuem infraestrutura e facilidades de pesquisa.

Em segundo lugar, a possibilidade de trabalhar e estudar ao mesmo tempo (algo que nem todos os países permitem): os estudantes que se inscreveram para um período de dois anos na Oceania podem encontrar emprego fácil e garantir os direitos por conta das facilidades de visto. Além disso, os indianos são aceitos na Austrália como residentes permanentes. O programa de permanência do governo australiano é um dos mais flexíveis do mundo e permite que, com poucos documentos, o pedido seja feito ao Estado.

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