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Brasil prepara sítio Burle Marx, no Rio, para ser reconhecido como Patrimônio da Humanidade da UNESCO

Por Raphael Granucci

Da coluna Viagens
Artigo de responsabilidade do autor

Candidatura da sede do Iphan foi protocolada e deve ser analisada no ano que vem; em 2019, Paraty, também no Rio, está na briga

Divulgação

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O Sítio Roberto Burle Marx, na Barra de Guaratiba, zona oeste do Rio de Janeiro, será o candidato brasileiro que vai brigar pelo título de Patrimônio Mundial da UNESCO, braço para a Educação, a Ciência e a Cultura da Organização das Nações Unidas (ONU). O projeto que será enviado ao comitê responsável pelas seleções foi produzido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e deve ser apresentado em junho, durante reunião da Unesco em Baku, no Azerbaijão.

Patrimônio cultural brasileiro desde 2000, o sítio serve hoje como sede do próprio Iphan, que o recebeu como doação do paisagista e artista Roberto Burle Marx, um dos maiores nomes das artes e do urbanismo brasileiro morto em 1994 -- na propriedade, por sinal. Com 405 mil metros quadrados de área, vizinho ao Parque Estadual da Pedra Branca, na zona oeste da cidade, o instituto permite que os visitantes acessem um perímetro de 1,8 mil metros, onde hoje há uma fazenda de café, banana e mandioca e um jardim de plantas tropicais.

O local se tornou destino turístico recentemente, quando, além da coleção botânica, com mais de três mil espécies de diversas partes do mundo, os visitantes descobriram que o sítio ainda possui pontos históricos, como a Capela Santo Antônio da Bica, construída em 1681, a Casa Principal, onde Burle Marx viveu até sua morte, a Cozinha de Pedra, construção modernista que servia como local de recepção do paisagista, além do seu ateliê. A maioria das agências de aluguel de carros do RJ oferece pacotes por causa das demandas do sítio.

O Iphan diz que o sítio de Burle Marx é uma "obra-prima do gênio criador humano" e "testemunho de um intercâmbio de influências considerável sobre o desenvolvimento da arquitetura, das artes monumentais, do planejamento urbano ou da criação de paisagens". Segundo Cláudia Storino, diretora do local, ele também merece ser reconhecido pela Unesco por abrigar um dos trabalhos vanguardistas do paisagismo mundial. “Foram lugares de experimentação, ali nasceu o jardim tropical moderno, foi uma criação do Burle Marx, ele foi a pessoa que se deu conta de que as plantas tropicais poderiam ser utilizadas em jardim, fez grande transformação no paisagismo. A contribuição do artista para a humanidade é muito importante”, disse.

Em janeiro, o sítio Burle Marx recebeu especialistas do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), órgão assessor da UNESCO no processo de candidatura. Foi uma das últimas etapas antes da escolha, cujo projeto começou ainda em 2015 com a inscrição do espaço em uma lista provisória de candidatos. O comitê se reúne uma vez por ano e por isso, ainda que o sítio seja escolhido, ele ainda dependerá de uma visita do comitê para ser anunciado na lista de Patrimônio Mundial de 2020.

Anualmente, cada país-membro da UNESCO pode indicar um lugar para concorrer. Neste ano, o Brasil inscreveu a cidade histórica de Paraty, no litoral carioca, como candidato.

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