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Casta de uva rara e irrigação dos Andes: os segredos dos vinhos chilenos

Da coluna Viagens

Por Raphael Granucci
Artigo de responsabilidade do autor

Mais da metade do mercado brasileiro consome garrafas do país sul-americano. Ideia dos produtores é crescer ainda mais no Brasil

Istock Photos

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Vinícolas chinelas atraem turistas com paisagens deslumbrantes e curiosidades da produção

Até o início dos anos 1990, pouca gente conhecia os vinhos chilenos. Na América do Sul, apenas os argentinos da região de Mendoza possuíam alguma reputação internacional, mas os preferidos dos consumidores – mesmo no nosso continente – eram os famosos franceses e portugueses.

Segundo alguns especialistas na bebida, o boom chileno no mercado internacional aconteceu por volta de 1994, quando o ampelógrafo (especialista em vinhas) francês Jean Michel Boursiquot encontrou em vinhedos do país a casta de uva chamada carménère, que havia sido dada como extinta após uma praga europeia no final do século 19.

Originária de Bordeaux, na França, a carménère era utilizada no processo de mistura do tradicional vinho francês produzido na região. No entanto, com a devastação das vinhas francesas naquele período, ficou esquecida pelos produtores por um século. “Foi um presente de Bordeaux para o Chile”, diz um artigo da Revista Vinitude.

“Acima de tudo, ela precisa de condições climáticas e geológicas específicas, entre elas um bom equilíbrio entre os dias de sol e chuva, solos profundos, dias quentes e noites frias. O Chile proporcionou isso”, completa o jornalista chileno especializado em vinhos, Ania Smolec.

No entanto, o Chile possui outras características particulares que emprestam à produção de vinho aspectos também próprios. Uma delas é a localização aos pés da Cordilheira dos Andes, uma das mais extensas e altas cadeias montanhosas do mundo, que influencia na temperatura e na forma como a plantação é irrigada.

A Cordilheira provoca um efeito de aquecimento das vinhas no inverno e na primavera, mas o mais importante é o esfriamento durante os meses do verão. As mudas adquirem boas condições no período em que estão brotando, e precisam ser protegidas do frio também durante o crescimento e a maturação da fruta. Segundo especialistas, a região de Maipo Alto, próxima à capital Santiago, é a mais beneficiada por esse aspecto, também por sua proximidade com o mar.

As vinícolas chilenas próximas aos Andes também se apropriaram de uma maneira de irrigar as plantas com água de degelo das montanhas própria da região de Mendoza, na Argentina. O sistema de goteo, ou gotejamento, em português, utiliza água de degelo das montanhas geladas para umedecer as vinhas e as frutas.

Em geral, são construídos canais cujas fontes estão nos pés dos Andes e que, quando chegam à vinícola, formam pequenos rios naturais. A água da Cordilheira é armazenada em poços, o que garante uma economia de até 95% da utilização de água. No caso de Santiago, o sistema beneficia até mesmo o abastecimento urbano.

No Brasil, o mercado está em expansão para os vinhos chilenos. Segundo o Wine Institute, responsável pela expansão da produção do Chile para o mundo, 53% das garrafas importadas consumidas aqui são originárias das vinícolas do vizinho sul-americano. O Brasil é, ao lado dos Estados Unidos e da China, o maior importador do produto, mesmo consumindo uma quantidade inferior do vinho chileno do que do doméstico. “Nós queremos acostumar o paladar do brasileiro com os nossos vinhos, ao mesmo tempo em que mostramos como o consumo da bebida faz bem para a saúde”, afirmou Mario Pablo Silva, presidente do instituto, ao site do programa Globo Rural, da TV Globo.

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