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Quatro destinos indígenas para conhecer na Austrália

Por Raphael Granucci

Da coluna Viagens
Artigo de responsabilidade do autor

De pedra gigante no interior do país a partida entre nativos e brancos: um roteiro para fugir da experiência urbana australiana

Istock Photos

ColunaViagens

Uluru-Kata Tjuta

A presença cada vez maior de estudantes brasileiros em intercâmbio na Austrália trouxe um novo desafio para as agências que operam as viagens entre os dois países: encontrar roteiros turísticos alternativos para uma grande massa de pessoas disposta a conhecer o país oceânico.

As viagens curtas de brasileiros em direção à maior nação da Oceania bateram um recorde ao registrar um aumento para 48,1 mil chegadas nos doze meses anteriores a janeiro de 2017. A taxa significou um crescimento de 181%, ou 31 mil pessoas, em relação às viagens curtas no mesmo período até janeiro de 2007.

Vinícius Barreto, CEO da Australian Centre, agência brasileira que envia estudantes para lá afirma que sua empresa registrou um aumento de 30% no número de brasileiros procurando instituições de ensino na ilha oceânica entre 2015 e 2016. Em média, a cada ano, a taxa de viagens aumenta em 20%.

A seguir, indicamos quatro eventos na Austrália que ajudam a contar um pouco do passado nativo do país e de como essa relação com os brancos europeus se estabeleceu:

Festival Garma, Arnhem Land
O internacionalmente renomado festival Garma é um dos principais eventos culturais do calendário australiano, em que durante quatro anos os nativos Yolngu, do nordeste de Arnhem Land, no Território do Norte da Austrália, compartilham seus conhecimentos e costumes com o público.

É uma celebração de arte visual, dança, música e de histórias antigas na qual os indígenas recebem ajudas econômicas para o desenvolvimento comunitário, a educação, a auto-governança e a liderança jovem.

Assim como discutir os desafios e as soluções para as questões econômicas vividas pelos povos aborígenes australianos, o festival Garma também pretende fortalecer, preservar e manter a cultura nativa e promover uma compreensão melhor entre australianos aborígenes e não-aborígenes.

Parque Nacional Uluru-Kata Tjuta
Localizado no "coração vermelho" do deserto central da Austrália, as formas antigas do Uluru e Kata Tjuta se juntam geográfica, espiritual e simbolicamente no meio do território do país. Crescendo majestosamente sobre os planaltos vermelhos, eles dominam o horizonte e são envoltos em mitos e mistérios.

Para os povos locais, os Uluru e Kata Tjuta são muito mais do que apenas formações rochosas: eles constroem um horizonte cultural vivo que é sacralizado para os povos Yankunytjatjara e Pitjantjatjara Anangu.

Em 1985, o Uluru e Kata Tjuta foi devolvido ao povo Anangu, os donos tradicionais do lugar, no que permanece como um dos momentos significativos dos movimentos aborígenes australianos pelo direito à terra. Hoje, o Uluru é um lugar cerimonial para muitos grupos nativos da Austrália central, como os Yankunytjatjara e Pitjantjatjara Anangu, que viveram na região por ao menos 10 mil anos.

Há mais de 40 lugares aborígenes sagrados na área onde, segundo suas crenças, os espíritos ancestrais residem até hoje, fazendo com que o lugar seja fundamental para a identidade cultural Anangu.

The Laura Dance Festival, Cape York
O Laura Dance Festival é uma celebração da cultura aborígene realizada na região Yalanji, ao norte de Queensland. É também uma vibrante e única forma dos turistas experimentarem essa antiga e contínua cultura por meio de performances ritmadas pelos sons e danças dos indígenas da região de Cape York.

Organizado a cada dois anos, ele sempre acontece no fim de semana que marca o final de junho e o início de julho, e é um dos principais eventos turísticos de Queensland. Nos últimos 25 anos, quando passou a ser realizado, atraiu multidões para a cidade.

Dreamtime at the G, Melbourne
O Dreamtime at the G acontece anualmente no Melbourne Cricket Ground, em Melbourne, durante a fase indígena da temporada da Australian Football League (AFL). Tipicamente realizado durante a etapa de número 10, na última semana de maio, a comemoração -- chamada de Indigenous Round -- lembra todos os jogadores aborígenes que contribuíram para a imensa popularização do futebol americano no país.

A etapa é nomeada por causa do britânico Sir Doug Nicholls, ex-jogador que representava o espírito de reconciliação entre indígenas e brancos australianos.

Embora existam vários jogos em que os protagonistas são indígenas, a partida entre os times de Richmond e Essendon é a mais esperada do público, em que australianos e indígenas se enfrentam em uma festa que começa antes da bola voar e acaba apenas no fim do dia.

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