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São Paulo e futebol: sem roteiros oficiais, metrópole recebe turistas do esporte

Por Raphael Granucci

Da coluna Viagens
Artigo de responsabilidade do autor

Cidade é a segunda com mais estádios de futebol do mundo, atrás apenas de Buenos Aires

Istock Photos

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No mesmo ano em que o jornal espanhol El País publicou que Buenos Aires, na Argentina, é a capital mundial com mais estádios de futebol, a administração da cidade colocou nas ruas um tour que passa por alguns bairros onde estão erguidas as casas dos grandes clubes do país. O ônibus gratuito sai do centro da metrópole e percorre La Boca, Parque Patrícios, Boedo, La Paternal e Nuñez, regiões onde estão Boca Juniors, Huracán, San Lorenzo, Argentinos Juniors e River Plate, respectivamente.

No entanto, se Buenos Aires tem 36 estádios com capacidade para mais de 10 mil pessoas, a segunda cidade da lista é São Paulo, com 15. Além dos modernos Allianz Parque, do Palmeiras, na zona oeste, e Arena Corinthians, em Itaquera, na zona leste, a capital paulista vai dos clássicos Pacaembu, no centro, e Morumbi, na zona sul, a tradicionais casas de clubes que hoje não figuram nas primeiras divisões, como o Canindé, da Portuguesa, e a Rua Javari, do Juventus.

Foi em São Paulo, aliás, que o esporte começou no Brasil: segundo os historiadores, o paulistano Charles William Miller trouxe a primeira bola de futebol para a cidade em 1894, vindo da Inglaterra. Ele era filho de ingleses, mas havia nascido em São Paulo, de onde migrara para estudar na Banister Court School.

Ainda segundo as pesquisas históricas, a primeira partida de futebol no Brasil aconteceu na Várzea do Carmo, bairro histórico da cidade na zona central. Apesar dos constantes debates entre estudiosos, acredita-se que o primeiro time brasileiro foi o São Paulo Athletic Club, fundado em 1894 pelo próprio Miller. Hoje, seu nome batiza a enorme praça em frente ao estádio do Pacaembu.

Divergências à parte, uma parte da expansão nas vendas de passagens aéreas a São Paulo se explica por turistas nacionais e internacionais que se interessam por conhecer a metrópole do futebol. "Cresci vendo os jogos do Corinthians, do Palmeiras, ouvindo falar do Pacaembu, do Morumbi. Como já tinha ido para Buenos Aires conhecer os estádios, quis fazer o mesmo em São Paulo", conta o peruano Bruno Ortiz, que visitou a cidade durante a Copa de 2014.

O uruguaio Federico Lozetti conta o mesmo: torcedor do Peñarol, tradicional clube do país, ele quase veio à cidade para a final entre seu time e o Santos, na Copa Libertadores da América de 2011, disputada no Pacaembu. Como não conseguiu ingressos para a partida, prometeu que conheceria a capital paulista no Mundial brasileiro. "Quando soube que o Uruguai jogaria na Arena Corinthians, não tive dúvidas: comprei as passagens, os ingressos e uma hospedagem de uns dias a mais para visitar outros estádios", afirma.

A estudante Mariana Gana, de Salvador, também queria conhecer a aura futebolística paulistana: em junho, ela desembarcou na cidade para conhecer o casa do seu time de coração, o Palmeiras, e também visitar o Museu do Futebol, dentro do Pacaembu. "No Nordeste, todo mundo torce para algum clube do Rio ou de São Paulo. Como o meu é o Santos, queria visitar o estádio em que o Pelé fez tantos gols", conta.

Atualmente, os três grandes clubes da cidade possuem tours criados para torcedores em seus estádios: o Corinthians lançou no ano passado o Casa do Povo, roteiro pela moderna Arena Corinthians em que os visitantes percorrem a Sala de Estar, o átrio feito em mármore e com um escudo gigante do clube, o lounge business, com uma visão em 360 graus da arena, a sala de imprensa, os camarotes, os vestiários, a sala de aquecimento e, enfim, o gramado.

O Palmeiras tem o Allianz Parque Experience, onde os torcedores também conhecem todas as instalações usadas por jogadores, profissionais da imprensa, pelos espectadores dos jogos e ainda podem ter um serviço exclusivo de fotografia. Em 2015, quando abriu o tour, o clube afirmou que recebeu 30 mil visitantes por mês.

O São Paulo, enfim, tem o Passaporte FC, um roteiro guiado de uma hora de duração por todas as instalações do estádio. No caso do Morumbi, além de ser a casa do clube, os visitantes também conhecem a história de um campo que serviu a todos os times da cidade e já recebeu várias partidas da Seleção Brasileira.

Os roteiros futebolísticos paulistanos, porém, vão além dos estádios: o principal deles é o Museu do Futebol, no Pacaembu. O estádio por si só ajuda a contar a história do esporte no Brasil: foi uma das sedes da Copa do Mundo de 1950, recebeu finais de Copa Libertadores, Mundiais de clubes, Brasileiros, Copas do Brasil, além das partidas épicas de Pelé. Todo dia 25 de janeiro, feriado municipal pelo aniversário da metrópole, sedia a final da tradicional Copa São Paulo de Futebol Júnior.

Em 2017, o Museu recebeu 332 mil visitantes entre turistas, moradores e estudantes que fazem parte de um projeto do governo de aproximar as crianças e adolescentes da história da cidade. Além das exposições temporárias, o local é repleto de atrações interativas, como projetores com fotos de Ronaldo, Garrincha, Zico e Pelé, videos de dribles de jogadores brasileiros em jogos com a Seleção e uma grande área inteira para os visitantes cobrarem um pênalti. A entrada custa R$ 12.

"É impressionante como pouca gente conhece o museu mesmo em São Paulo. Quando eu falava para meus amigos daqui que tinha visitado o lugar, eles sabiam que existia, mas não faziam ideia do que tem lá dentro", conta Gana.

Já Ortiz, acostumado a percorrer estádios alternativos em Lima, capital peruana, tentou fazer o mesmo em São Paulo. Viu um jogo do Juventus na Rua Javari e depois entrou no Canindé, onde bastou bater no portão do estacionamento do estádio para ter a entrada autorizada. "Eu gosto dessa informalidade: não tem essa de tour, visita guiada, tem que deixar um apaixonado como eu entrar e ver o que quiser. O futebol é um bem público", finalizou.

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