Campo Grande Quinta-feira, 25 de Abril de 2024


Cotidiano Segunda-feira, 03 de Dezembro de 2018, 16:57 - A | A

Segunda-feira, 03 de Dezembro de 2018, 16h:57 - A | A

DISCURSO

Em Madri, Moro afirma que Bolsonaro não é um risco para a democracia

Futuro ministro da Justiça disse que não vê “um risco de autoritarismo” com presidente eleito

Agência Brasil
L.B.

O futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, afirmou nesta segunda-feira (3), que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, não representa um risco para a democracia e o Estado de Direito no Brasil. Ele participou de um Fórum da Fundação Internacional para a Liberdade (FIL), em Madri, e disse que não vê "um risco de autoritarismo ou contra a democracia" em Bolsonaro.

 

Em seu discurso no fórum, presidido pelo escritor Mario Vargas Llosa, Moro afirmou que também não vê a possibilidade de o novo governo aprovar medidas que "discriminem as minorias". Moro disse que o resultado da eleição presidencial é o profundo impacto da indignação causada pela "corrupção sistemática" descoberta nos últimos anos.

 

O futuro ministro detalhou a atuação da Justiça nos casos de corrupção dos últimos anos, especialmente a Operação Lava Jato, que revelou as irregularidades na Petrobras, e ressaltou que "ninguém foi condenado por suas ideias políticas".

 

Moro disse que aceitou a proposta de Bolsonaro para ser ministro da Justiça porque é preciso dar uma "resposta institucional" fora dos tribunais para problemas como a corrupção, o crime organizado e a violência, através de "um endurecimento" das leis.

 

Considerou que esses males "afetam a qualidade da democracia em si própria" e lembrou que no Brasil são cometidos 60 mil assassinatos por ano, dos quais apenas 10% são solucionados, algo que constitui "uma calamidade".

 

Moro afirmou que não planeja ser candidato à Presidência da República. "Não tenho mais ambições além da minha agenda política" nessas reformas jurídicas”, ressaltou.

 

Ao apresentar Moro, Vargas Llosa afirmou que o ex-juiz é "exemplo da revolução silenciosa" dos brasileiros opostos à corrupção institucionalizada no país.

 

 

O escritor e ensaísta lembrou que se fala que a eleição de Bolsonaro representa a chegada da extrema-direita e do fascismo ao poder, e reconheceu que ele tende a "desconfiar" desses rótulos.

Comente esta notícia


Reportagem Especial LEIA MAIS