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Quarta-Feira, 09 de Maio de 2018, 17h:54
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Governo comemora previsão de retomada das obras de fábrica de fertilizantes

Petrobras avança na venda da UFN III, em Três Lagoas, para grupo russo

Flávio Brito
Capital News

Deurico/Arquivo Capital News

Sul-mato-grossenses e bolivianos querem “dupla nacionalidade” do transporte ferroviário

Secretário Jaime Verruck

A Petrobras avançou no processo de venda da UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados), em Três Lagoas. Em comunicado de Fato Relevante divulgado nesta quarta-feira (9), a estatal anunciou o início das negociações, em regime de Concessão de Exclusividade, com a empresa Acron, da Rússia, por um período de 90 dias, referente ao processo de alienação integral de sua participação acionária na UFN III.

 

A notícia foi comemorada pelo Governo do Estado. Na avaliação do secretário Jaime Verruck, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), o anúncio de desinvestimentos no Setor de Fertilizantes feito pela Petrobras é fundamental para o desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul e estratégico para o Brasil, pois oferece condições de o País fazer uma substituição em um importante item das importações.

 

“O mercado da UFN III é o agronegócio, setor da economia brasileira que tem demonstrado o maior crescimento nos últimos anos. Além disso, a fábrica está localizada no Centro-Oeste, próxima aos mercados consumidores. É o agronegócio que tem a necessidade dessas matérias primas. Essa junção de fatores torna esse empreendimento tão importante para a economia sul-mato-grossense”, comentou.

 

Sob o ponto de vista do desenvolvimento industrial, o titular da Semagro lembra que a fábrica “é uma planta fundamental a ser retomada, pois caracteriza uma diversificação da base econômica. Temos ainda, ao lado da fábrica, um distrito industrial que já foi constituído pela prefeitura de Três Lagoas, preparado para atrair misturadoras de fertilizantes, indústrias que precisam dessa produção de ureia nitrogenada e CO2 como matéria prima. Nossa ideia é conseguir vender não somente ureia para as empresas já instaladas, mas também que possamos atrair próximo da UFN III um núcleo específico de fábricas de fertilizantes e misturadoras”.

 

Ação do poder público

O avanço nas negociações da Petrobras para a venda da UFN III atende a um cronograma previamente estabelecido e que teve o acompanhamento do Governo do Estado, da prefeitura de Três Lagoas e da bancada federal. Somente após a finalização do processo entre a estatal brasileira e a Acron é que devem ser retomadas as obras da fábrica de fertilizantes nitrogenados no município.

 

“Em todo o processo, tivemos a ação fundamental do poder público. A retomada da obra foi uma das prioridades do governador Reinaldo Azambuja. Fizemos um trabalho com a bancada federal para que a gente conseguisse chegar numa possibilidade, ou de continuidade de obra ou de venda. Hoje, o que temos da Petrobras é a possibilidade de venda para uma empresa que tem todas as condições de desenvolver o projeto, que ainda não tinha atividade industrial no país e que agora deve operar e tem pleno conhecimento desse mercado”, afirma Jaime Verruck.

 

Ele lembra ainda o empenho do Governo do Estado para garantir que fossem mantidos os incentivos fiscais concedidos. “Houve um esforço para que isso acontecesse, o governador definiu e publicou um decreto alterando a possibilidade de esses incentivos serem usufruídos somente pela empresa adquirente anterior. A prefeitura e Câmara de Três Lagoas também agiram de forma a viabilizar o processo, sem amarras, no caso da cessão do terreno da fábrica”, ressaltou.

 

Fornecimento de gás

O Governo do Estado também tem acompanhado as negociações para o fornecimento de gás natural à indústria de fertilizantes. No edital de venda, a Petrobras esclarece que as fábricas de Três Lagoas e Araucária serão vendidas juntas e o comprador também terá que se responsabilizar pela compra de gás natural para abastecer a UFN III, que consome 2,2 milhões de metros cúbicos por dia.

 

Em fevereiro, interessados na fábrica da Petrobras estiveram na Bolívia para negociar diretamente sobre o fornecimento de gás natural. Na época, ficou claro que o mercado brasileiro de fertilizantes demanda mais do que suficiente para absorver a produção da UFN3, da Araucária Nitrogenados S.A (Ansa) e de Bulo Bulo (Bolívia).

 

“Para Mato Grosso do Sul, a  fábrica é fundamental devido ao gás natural, lembrando que toda a importação do gás boliviano ocorre aqui pelo Estado. Se a Acron fechar efetivamente a compra, ela terá de consumir 2,2 milhões de metros cúbicos. O grupo russo já está procurando uma contratação direta com a Bolívia para aquisição. A fábrica não funciona sem o gás natural. Isso beneficia o Estado em termos de incremento de arrecadação, além dos empregos diretos a serem gerados e ativação da economia”, finalizou.

 

As obras da fábrica em Três Lagoas começaram em 2011 e foram paralisadas em dezembro de 2014, com 81% concluídas, quando a estatal rescindiu contrato com o consórcio responsável pela construção alegando não cumprimento do contrato. Assim que concluída, a unidade terá capacidade para produzir 3.600 toneladas/dia de ureia, 2.200 toneladas/dia de amônia e 290 toneladas/dia de gás carbônico.

 

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