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Quarta-Feira, 16 de Maio de 2018, 17h:57

Gastar por impulso

Por Walter Roque Gonçalves*

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Pesquisas apontam que 60% dos consumidores gastam por impulso e 15% compram em parcelas a perder de vista no cartão de crédito. Parece bom para retomada do comércio, mas não é ! Clientes impulsivos ajudam na meta do mês, no entanto logo se endividam e passam a comprar cada vez menos até que se tornam protagonistas da próxima crise econômica no país.

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Walter Roque Gonçalves

 

Empresários também são vitimados por este mesmo comportamento, agem por impulsos e arcam com consequências desagradáveis: a ilusão de ter muito dinheiro ao ver quanto a empresa fatura, vira uma chavinha interna e inconsciente. E, aquela pessoa que tinha renda limitada parece enxergar o mundo de forma bem diferente: em pouco tempo troca o carro, reforma a casa e compra eletrodomésticos novos. Afinal, agora é um empresário.

Esta ilusão tem levado muitas empresas lucrativas a falirem, pois não suportam os gastos pessoais que sangram de morte o lucro da empresa. O fato é que o empresário é o último a receber, isso se sobrar algo pra ele. A realidade é que o faturamento é destinado primeiramente para os impostos que são cobrados na boca do caixa, pelas impressoras de cupom fiscal. Em seguida, paga-se fornecedores, funcionários, aluguel, água, luz, escritório, sistema de informática, materiais de limpeza e mais impostos. Se surgir imprevistos, é do faturamento que sairá o dinheiro. Além dos necessários reinvestimentos para manutenção e ampliação da empresa. Só depois disto tudo o empresário vê se sobra algo pra ele.

O ideal é o empresário não sacar dinheiro nenhum da empresa no primeiro ano de funcionamento e só depois disso fazer retiradas gradativas de forma que estas não afetem à sobrevivência da organização. Neste exercício o empreendedor constatará que nem sempre recebe das vendas tudo que precisa para pagar as contas em dia, por isso, precisará manter um dinheiro na conta corrente da empresa sem mexer nele pra nada. Este recurso simplesmente ficará lá para cobrir contas que chegam nos momentos que não há saldo no caixa, em outras palavras, a empresa precisa de manter seu capital de giro, senão as contam fatalmente atrasarão.

Esta é uma falha comum, o empresário vê saldo na conta da empresa e começa gastar por conta! Isso é perigosíssimo, não é à toa que os bancos faturam alto para emprestar dinheiro para empresas que ficam sem caixa durante o mês. Portanto, ser empresário pode ser algo muito recompensador financeiramente e pode até surpreender com retornos antes do esperado, mas não é fácil e nem simples. É preciso de conhecimento, tecnologia, disposição para o trabalho e, tanto quando seus clientes, disciplina financeira! Gastar por impulso continua, como sempre, muito perigoso!

 

 

*Walter Roque Gonçalves

Professor na FGV/ABS especializado em empresas micro e médias empresas | CRA 144.772 | Contato:(18) 99723-3109 | e-mail: consultoriaempresarialjk@gmail.com


Fonte: CapitalNews

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