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Domingo, 25 de Novembro de 2018, 13h:00

5 pontos turísticos com acessibilidade no centro de São Paulo

Por Raphael Granucci

Da coluna Viagens
Artigo de responsabilidade do autor

Metrópole paulista é uma das cidades mais acessíveis do Brasil, segundo associações especializadas

Istock Photos

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O jornalista Ricardo Shimosakai, diretor da startup Turismo Adaptado e especialista em turismo acessível, se considera um "turista profissional". Paraplégico, ele elaborou um mapa do centro de São Paulo com lugares que são adaptados para receber pessoas com deficiências físicas ou são cadeirantes.

O assunto voltou a ganhar atenção da sociedade no ano passado, quando a Virada Cultural paulistana reduziu o número de atrações com dispositivos para pessoas nessas condições.

Segundo a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPED), os recursos são escassos e, por isso, a pasta prefere promover pequenas ações na cidade do que elaborar grandes projetos que demandam custos maiores.

Serviços como o Atende e o Bilhete Único Especial são administrados pela secretaria e considerados uns dos principais pontos positivos da cidade em relação a acessibilidade.

Shimosakai costuma publicar resenhas de cidades que são acessíveis e outras que ainda não conseguem dar conta de pessoas com cadeira de rodas. Bonito, no Mato Grosso do Sul, é um dos destinos que ele recomenda, por exemplo.

"Os instrutores estão capacitados para atender pessoas com deficiência e oferecem vários aparatos para tornar o passeio possível. Eu preciso de uma almofada para andar em barcos com assentos rígidos, e não tive a necessidade de levar minha própria porque os guias tinham o acessório", conta.

Já o Rio de Janeiro, principal cartão-postal do Brasil no exterior, é uma decepção. "No Cristo Redentor não se chega à plataforma mais alta de elevador, só de escada rolante, inviável se a pessoa com deficiência estiver sozinha. O transporte público também deixa a desejar", reclama.

Para Shimosakai, o modelo de acessibilidade mundial é Paris, na França -- a metrópole possui banheiros públicos, cabines adaptadas, portas maiores para entradas de cadeirantes, calçadas planas e rampas de acesso.

A seguir, a lista elaborada por ele sobre os lugares do centro de São Paulo adaptados para cadeirantes:

Biblioteca Mário de Andrade
Reaberta em 2011 após uma longa reforma que deixou os paulistanos ansiosos, a Biblioteca Mário de Andrade é dona do segundo maior acervo do país, superado apenas pelo acervo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, que guarda 3,3 milhões de itens. Entre eles, há 330 mil livros no prédio da biblioteca. O restante, composto por jornais e revistas, ocupam o prédio anexo.

Na coleção de jornais e revistas, há uma edição do jornal O Diabo Coxo, que circulou entre 1864 e 1865 e que foi o primeiro jornal feito em São Paulo com imagens. Também há exemplares do jornal O Farol Paulistano (1826-1836), o primeiro jornal produzido em São Paulo, e do Zé Carioca, um jornal mimeografado da Força Expedicionária Brasileira (FEB), feito por brasileiros em Florença, na Itália, na época da Segunda Guerra Mundial.

Há ainda raridades como livros de Jorge Amado publicados em russo, polonês, húngaro e chinês, uma carta do padre Manuel da Nóbrega em que ele relata sua estadia em São Paulo, manuscritos do político e escritor Rui Barbosa e até uma espécie de mapa mundi, o mapa chamado Theatrum Orbis Terrarum, de 1595, desenhado pelo cartógrafo Abraham Ortelius.

Além do acervo, a biblioteca é totalmente adaptada para cadeirantes e possui intérpretes de libras, além de itens em braile e em áudio.

Theatro Municipal
Tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o prédio foi construído em 1911 a partir de projetos dos arquitetos italianos Cláudio e Domiziano Rossi, que tiveram a colaboração do brasileiro Ramos de Azevedo -- que dá nome à praça próxima ao teatro. Demorou oito anos para ficar pronto, mas hoje seus traços renascentistas barrocos do século XVII são uma ruptura com os prédios sujos e velhos do centro paulistano.

Mesmo antigo, ainda abriga a maioria das apresentações de São Paulo: em 2017, por exemplo, o teatro recebeu 100 mil espectadores em 140 eventos -- de óperas, balés e concertos até encontros políticos e sociais. A última transmissão de posse de prefeitos, em 2016, foi feita em uma cerimônia no Municipal. O teatro, porém, é conhecido nacionalmente por sua importância histórica: foi nos seus corredores e palco que aconteceu a Semana de Arte Moderna de 1922, que reuniu um grupo de artistas que questionava os valores da arte e da cultura do início do século XX.

As constantes reformas pelas quais passou nos últimos anos também levaram em conta a acessibilidade: o teatro oferece como recurso para cegos materiais táteis e olfativos sobre a história do edifício. O acesso para cadeirantes é feito através de uma plataforma localizada no portão esquerdo do teatro. 

Praça das Artes
Os R$ 27 milhões utilizados para a última reforma do Teatro Municipal, terminada em 2011, também foram colocados na construção de um espaço artístico alguns metros atrás do edifício histórico: a Praça das Artes, onde hoje funcionam o corpo estável e as escolas de formação, como a Orquestra Experimental de Repertório e as escolas municipais de Bailado e de Música.

Quem passa por ali tem a mesma reação de quem se depara com a beleza do teatro no coração do centro paulistano. Uma das características mais fortes da Praça das Artes é o poder de surpreender as pessoas – não só por ser uma instalação cultural, mas por promover a requalificação urbanística do centro da cidade. Localizada entre a avenida São João, a rua Conselheiro Crispiniano e o Vale do Anhangabaú, o complexo criou um novo diálogo com a vizinhança e com os edifícios históricos que, reformados, irão pouco a pouco se incorporar ao conjunto.

O conjunto arquitetônico oferece um pavimento térreo totalmente livre, de forma que as construções de concreto aparente se organizam em volumes, garantindo um espaço de circulação aberto e livre, qualificado por vazios e passagens.

O elemento central é o grande edifício de concreto pigmentado de mais de 28 mil metros quadrados que recebe a sede da Orquestra do Balé da Cidade, a do Quarteto de Cordas e a das Escolas Municipais de Música e de Dança. Como edifício moderno, já foi pensado com todas as características de acessibilidade.

Galeria do Rock
Centro underground, negro, roqueiro, skatista, fashion e migrante de São Paulo, a Galeria do Rock possui mais de 450 lojas direcionadas para diversos estilos e é conhecida por várias gerações de paulistanos que, em algum momento da vida, frequentaram os andares vazados para o Largo do Paissandu. O grande espaço comercial é ideal para quem quer encontrar raridades em vinil, CD’s antigos, camisetas com imagens de artistas e outros artigos musicais.

Construído em 1963, foi chamado inicialmente de Shopping Center Grandes Galerias, onde funcionavam salões de beleza, lojas de serigrafia e assistências técnicas de aparelhos eletro-eletrônicos. No entanto, a partir do final da década de 70, quando as primeiras lojas de disco começaram a se instalar no local, o público que gostava de rock foi tomando conta até apelidar o prédio como ele é conhecido hoje.

As lojas hoje guardam alguns itens que são raridades em mundos muito específicos, como uma das mil unidades espalhadas no mundo de um shape de skate, camisetas de times de beisebol estadunidense, fantasias e adereços de animes japoneses e um dos lugares mais famosos por caçadores de vinil do país: a Baratos e Afins, com mais de 100 mil títulos.

O edifício, apesar de ser velho e de ter certos problemas estruturais, possui rampas e elevadores de acesso.

Terraço Itália
O Terraço Itália é um dos símbolos de São Paulo e um dos mais famosos – e caros – restaurantes da cidade. Localizado no último andar do Edifício Itália, que já foi o prédio mais alto da América do Sul -- hoje, perde para condomínios residenciais de Balneário Camboriú, por exemplo, o estabelecimento vale a pena também pela vista da cidade. A revista Veja diz anualmente que ali está o ponto mais belo para se visualizar São Paulo.

Até 2016 a visita ao Terraço Itália era gratuita nos dias de semana, num horário pré-determinado. Agora, há uma cobrança de R$30, mas que dá direito a um drink do dia na casa. Essa visitação acontece todos os dias, das 15h às 19h. Nos demais horários, é aberto apenas para os clientes do restaurante ou bar. Para Shimosakai, "vale a pena chegar um tempo antes para ver o pôr do sol, e depois aproveitar a vista da cidade iluminada pelas inúmeras lâmpadas, num lugar aconchegante e saboreando uma deliciosa refeição servida a luz de velas".


Fonte: CapitalNews

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