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Acordo entre Trump e Kim é recebido com ceticismo por analistas

Agência Brasil
E.V.M.

KEVIN LIM / THE STRAITS TIMES

Acordo entre Trump e Kim é recebido com ceticismo por analistas

Líderes da Coreia do Norte, Kim Jong-un, e dos Estados Unidos, Donald Trump, assinam acordo em Cingapura

Apesar do entusiasmo e otimismo expressado pelos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos (EUA), e Kim Jong-un, da Coreia do Norte, após o encontro de hoje (12) em Cingapura, analistas encaram o resultado do acordo com ceticismo. A ausência de referências aos mísseis ou a prazos para a desnuclearização da Coreia são apontados como fragilidades do documento.

 

O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que "todos podem fazer a guerra, mas só os mais corajosos podem fazer a paz”. O líder norte-coreano, Kim Jong-un, disse que “decidiram deixar o passado para trás” e que “o mundo vai ver grandes mudanças”.

 

No entanto, o retrospecto de tentativas de acordo entre os dois países deixa espaço para dúvidas. O jornal português Expresso publicou um breve histórico da diplomacia nuclear entre os dois países, em que relembra as tentativas frustradas de acordos no passado, inclusive com os presidentes Bill Clinton, George Bush e Barack Obama.

 

"As lições a retirar dos outros dois acordos, um assinado em 1994 e outro em 2005, é que o problema não é tanto o de acordar as reuniões, o problema é - ou tem sido - fazer valer o que fica escrito no papel", diz o periódico de Portugal.

 

Trump afirmou ainda acreditar que Kim vai respeitar o acordo e que as sanções à Coreia serão levantadas assim que as armas nucleares deixarem de ser uma preocupação. Acrescentou que inspetores internacionais e norte-americanos vão acompanhar o processo de desnuclearização.

 

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, já havia dito ontem (11) que o encontro dos líderes seria apenas o primeiro passo de um processo lento e arriscado. "Um passo bastante significativo, ainda assim, se considerarmos que há apenas alguns meses Kim e Trump trocavam insultos e ameaças e comparavam a dimensão dos respectivos arsenais nucleares", afirma o Expresso.

 

O jornal francês Le Figaro traz na manchete a pergunta "o que contém o acordo Trump-Kim?" e faz um balanço dos elementos incluídos no documento.

 

"Donald Trump assegurou que o líder norte-coreano prometeu, após assinar o documento conjunto, destruir em breve um local de grandes testes de mísseis, embora também tenha dito que essa desnuclearização levaria muito tempo, sem dar uma duração precisa", afirma o Le Figaro. O jornal francês lembra que as negociações sobre a implementação do acordo começarão na próxima semana.

 

O Le Figaro afirma também que Trump anunciou que encerraria exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul contra a Coreia do Norte, descritos como "muito provocativos e muito caros". Trump reiterou o desejo de retirar, quando chegar a hora, as tropas dos EUA na Coreia do Sul.

 

A britânica BBC deu destaque à afirmação de Trump sobre Kim: "direto e honesto". Em uma série de matérias, o veículo trata da repercussão do encontro dos dois líderes.

 

"Trump disse que interromperia os "jogos de guerra", enquanto Kim prometera destruir um local de testes de mísseis. O acordo também incluiu um compromisso de Kim de livrar a Península Coreana de armas nucleares. É a primeira vez que um presidente americano e um líder norte-coreano se encontram", afirmou a BBC.

 

Ainda de acordo com a BBC, Trump disse que havia tratado da questão dos direitos humanos com o norte-coreano, "que administra um regime totalitário com censura extrema e campos de trabalhos forçados". O presidente norte-americano afirmou que o assunto dos direitos humanos será retomado oportunamente.

 

O jornal italiano Corriere Della Sera também traz uma pergunta na capa: "A Guerra da Coreia acabou?". E afirma que um resultado definitivo ainda é desafio. "Donald Trump chama-se 'o artista do acordo' e garante que é capaz de avaliar 'em um minuto se Kim Jong-un é sincero'. Mesmo após o teste dos 60 segundos para os dois, persiste o problema de apresentar ao mundo um resultado de impacto", afirma o Corriere.

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