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Fernando Henrique Cardoso é o único ex-presidente vivo que não sofreu impeachment ou foi preso

Fernando Collor de Mello, em 1992, e Dilma Rousseff, em 2016 sofreram impeachments durante seus governos. Entre os ex-presidentes Lula e Michel Temer estão presos.

Flavia Andrade
Capital News

Geraldo Magela/Agência Senado

Fernando Henrique Cardoso

Fernando Henrique Cardoso

 

Presidente por dois mandatos, Fernando Henrique Cardoso, é o único integrante vivo da lista que não sofreu impeachment ou foi preso. Entre os presidentes eleitos desde a redemocratização do Brasil, o impedimento ocorreu nos mandatos de Fernando Collor de Mello, em 1992, e em 2016, quando Dilma Rousseff passou por processo semelhante. Já entre os ex-presidentes presos estão o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva e Michel Temer, este último havia assumido o cargo após o Impeachment de Dilma Rousseff. Outro que também era vice-presidente e assumiu a presidência da República foi Itamar Franco, após o impeachment  de Collor.

 

Marcos Oliveira/Agência Senado

Cassado em 1992, Fernando Collor diz que impeachment não é golpe

Fernando Collor

Fernando Collor de Mello venceu Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições de 1989, com 53% dos votos válidos. Primeiro presidente eleito pelo voto direto desde 1960, Collor governou por dois anos e meio. Foi acusado de corrupção e renunciou em meio ao processo de impeachment, que foi aprovado mesmo assim.

 

Esquema de corrupção e desvio de verbas públicas controlado pelo ex-tesoureiro de campanha Paulo César Farias, foi revelado pelo seu irmão Pedro Collor de Mello, à revista Veja.O caso revoltou a população, que sofria com um ajuste fiscal e a hiperinflação. Sendo instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar a responsabilidade do presidente.

 

Após o processo de impeachment que contou com os “caras pintadas”, Fernando Collor de Mello foi afastado e o vice Itamar Franco assumiu em seu lugar. Atualmente, ele é senador pelo Partido Republicano da Ordem Social (Pros-AL).

 

Fernando Henrique Cardoso foi alvo de 17 pedidos de impedimento, porém, é o único ex-presidente vivo que não sofreu impeachment e nem está preso. Somente um deles ocorreu no primeiro mandato. A popularidade do presidente, cujo governo ficou marcado pela consolidação do Plano Real e pela política de privatizações, teve altos e baixos. Ao fim do segundo mandato, segundo a Datafolha, a reprovação (36% consideravam-no ruim ou péssimo) era maior do que a aprovação (26% viam-no como ótimo ou bom). Outros 36% consideravam-no regular.

 

Ricardo Stuckert

Luiz Inácio Lula da Silva

Luiz Inácio Lula da Silva

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assumiu seu primeiro mandato como presidente da República em 2002. Em seus dois mandatos, foram 34 pedidos de impeachment, principalmente entre 2003 e 2006, após as denúncias do mensalão.

 

A prisão de Lula foi decretada após condenação em segunda instância por corrpção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex em Guarujá. o ex-presidente está preso desde 7 de abril de 2018 em uma sala da Superintendência da Polícia Federal de Curitiba. Lula foi acusado de receber, como propina da empreiteira OAS, a reforma de uma cobertura da cidade do litoral paulista estimada em R$ 2,4 milhões.

 

Lula nega ter participado do acerto e alega que nunca tomou posse do apartamento. O dinheiro seria parte do acerto do PT com a construtora em troca de contratos com a Petrobras. o ex-presidente  recorreu da condenação do então juiz Sérgio Moro no TRF-4, que, por 3 votos a 0, aumentou a pena, em 24 de janeiro de 2018, para 12 anos e um mês.

 

O ex-presidente é réu em dois outros processos que correm em Curitiba: sobre o imóvel do Instituto Lula e sobre o sítio de Atibaia. Neste último, foi condenado no último dia 6 de fevereiro a 12 anos e 11 meses. A condenação, proferida pela juíza Gabriela Hardt, foi por corrupção e lavagem de dinheiro.

 

Lula foi acusado de aceitar reformas no sítio feitas pela Odebrecht e pela OAS, com dinheiro de propina decorrente de contratos da Petrobras, no valor de R$ 1 milhão. A defesa do ex-presidente afirmou que existe um "uso perverso das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política". Ele também responde a outros cinco processos em Brasília e mais um em São Paulo.

 

Em 31 de agosto de 2016, a ex-presidente Dilma Rousseff foi destituída definitivamente da Presidência pelo Senado, por 61 votos a favor e 20 contra, por crime de responsabilidade.

 

A primeira mulher a se tornar presidente do país, sofreu impeachment em seu segundo mandato. Ela assumiu pela primeira vez a Presidência em 2011, após vencer o segundo turno em disputa com o então candidato José Serra. Apesar de deter  popularidade no início, a situação já era diferente em 2014. Ela se elegeu novamente nas eleições daquele ano, em disputa acirrada com Aécio Neves (PSDB).

 

Em 2018, a Justiça Federal tornou réus os ex-presidentes Lula e Dilma, além de dois ex-ministros de governos petistas, no processo conhecido como "quadrilhão do PT". Segundo denúncia do Ministério Público Federal, "os réus integravam organização criminosa como membros do PT, tendo sido cometidos diversos crimes contra a administração pública, entre os quais corrupção e lavagem de dinheiro relacionados com órgãos do governo e empresas investigadas na Lava Jato".

 

José Cruz/Agência Brasil

“Resistirei até o último dia”, reafirma Dilma sobre impeachment

Dilma Rousseff

Dilma Rousseff garantiu o direito a disputar as eleições em 2018 após acordo costurado na votação do impeachment, em 2016, pelo então presidente do Senado, Renan Calheiros (MDB). Ele a livrou da punição pelos senadores com a inabilitação para funções públicas. Dilma era apontada pelas pequisas eleitorais como líder na disputa ao Senado, mas ficou em quarto lugar, com 15,21% dos votos.

 

Reprodução

Presidente Michel Temer diz que atentado à Bolsonaro é “intolerável”

Michel Temer

Nesta quinta-feira (21), preso por determinação do juiz da 7ª vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, Marcelo Bretas, o ex-presidente Michel Temer era alvo de investigação por suspeita de recebimento de propina da construtora Engevix, em troca de contratos na execução de obras da usina nuclear de Angra 3, na Costa Verde fluminense.

 

Em 2019,  o Supremo Tribunal Federal (STF) remeteu à primeira instância do Judiciário quatro inquéritos abertos na Corte para investigar Temer, que já foi denunciado em três dessas investigações. Ele é investigado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, suspeito de ter recebido propina em troca de beneficiar indevidamente empresas do setor portuário.

 

Também houve a determinação de abertura de cinco novos inquéritos para investigar denúncias contra o ex-presidente, através do relator, ministro Luís Roberto Barroso. Um deles apura se houve lavagem de dinheiro supostamente cometido por Temer e pela filha Maristela em reforma de imóvel em São Paulo. Outro desses casos foi enviado ao juiz Marcelo Bretas, no Rio de Janeiro, que culminou na prisão do ex-presidente.

 

Já o inquérito aberto pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, envolve suspeitas levantadas pelo delator José Antunes Sobrinho, ex-sócio da construtora Engevix, cuja delação premiada foi homologada pelo ministro Luís Roberto Barroso em outubro de 2018.

 

José Antunes Sobrinho declarou à Polícia Federal, as negociações com o coronel João Baptista Lima, amigo de Temer, o qual é apontado como seu principal operador pelos investigadores, além das pressões sofridas para fazer pagamentos ao MDB. Ele disse ter pago propina de R$ 1,1 milhão, em 2014, a pedido de João Baptista Lima Filho e pelo ministro Moreira Franco, com anuência do ex-presidente.

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