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Sexta-Feira, 08 de Setembro de 2017, 14h:28
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A ejaculação da mídia no ombro da sociedade

Por Domicio Junior*

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Continuo enojado, estarrecido e sedento por justiça contra o homem que, dentre muitos, molestou e constrangeu a moça trabalhadora com seu ato repugnante de se masturbar ao ponto de ejacular sobre a moça, coisa insana, indigna até mesmo para os que vivem à margem da sociedade, mas temos que considerar que este ato repugnante é fruto de uma longa história em nossa nação.

Instituto Advance

Domicio Junior

Domicio Junior

 

Em um mundo, no caso o nosso país, onde desde os anos oitenta as criancinhas eram ensinadas a dançar na boquinha da garrafa, onde todos os programas de auditório expõem mulheres seminuas, como lombos de boi expostos no açougue, para garantir a atração, onde as celebridades desde antigo Axé e outros movimento “Bunda Music” até os dias de hoje em que quanto mais pelada a mulher estiver mais sucesso terá, incluindo a Anitta e suas antecessoras, e até mesmo quando o tal/a tal Pablo Vittar lota auditórios com apoio massivo da mídia, não há como se ter, para os loucos e tarados, limites de comportamentos sexuais comportados.

Mas há um caso que nos persegue abertamente desde a década de 70 e 80, que é o uso extremo e abusivo do erotismo na mídia em geral. Aliás o próprio Brasil vende a imagem de mulheres gostosas e fáceis para todo o mundo, o que não é verdade. A mulher brasileira é linda, maravilhosa e não tem nada de fácil, pois foi uma luta para conseguir a minha, portanto elas merecem e devem ser honradas.

Desde a minha infância nos anos 70, passando pela minha juventude, nos anos 80, as coisas só foram de mal a pior e tenho percebido a exaltação desnecessária do erotismo até mesmo nos canais abertos e em horários que antes eram considerados de família. Se você for um pai tentando ver novela com sua filha você saberá dos constrangimentos que já passou com as imagens e diálogos inadequados ao horário.

Não sou puritano, só acho que há excessos. De sexo todos gostam, até os mais bobinhos, já a sensualidade é uma mostra sutil de uma intenção sexual, mas convenhamos, a erotização pública e coletiva que todas as mídias promovem já é um caminho perigoso pois cada alma faz dela o que quer e daí advém toda forma de abuso sexual, pedofilia, estupro, escravidão sexual e outros tipos de violência contra a mulher.

O sexo afirma nosso propósito existencial, valor pessoal e autoestima, o erotismo escancarado torna as pessoas apenas matéria de prazer, futilidade e descarte relacional e muitas vezes emocional e afetivo.

Os mais equilibrados podem até fazer boas interpretações e bons usos do erotismo, mas os desiquilibrados e desajustados, alheios aos limites sociais de suas intenções, que hoje perfazem a maior parte da sociedade, farão do erotismo um dano, um prejuízo e um argumento para ações monstruosas como a que vimos no ônibus de São Paulo, pois para eles o Brasil é uma grande noite do cabide.

O apetite sexual, por natureza, é como água morro abaixo e fogo morro acima – Incontrolável.

A aprovação da massa diante da pública exposição de tudo que é imoral, anormal e erótico valida, direta ou indiretamente, atitudes como esta e muitas outras que não tomamos conhecimento onde mulheres e crianças tornam-se reféns de monstros que alimentam suas loucuras com a exposição contínua, distorcida e vil da sexualidade humana.

É horrível ter que concordar, mas temos que concordar. A sociedade brasileira está vivendo um momento de masturbação cultural e midiática. Se quisermos que não haja mais este tipo de ejaculação social é bom parar com a masturbação cultural.

 

 

*Domicio Junior

Mestre em Liderança pela Florida Christian University, especializado em gestão de pessoas pela FGV, atende empresas líderes em seus segmentos como JBS, CCAA entre outros.
É autor de 18 livros, palestrante e presidente do Instituto Advance.

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