Campo Grande/MS, Sexta-Feira, 15 de Dezembro de 2017 | 14:56
27˚
(67) 3042-4141
Opinião
Segunda-Feira, 09 de Outubro de 2017, 14h:15
Tamanho do texto A - A+

Ó Deus, temos um robô em nossa casa!

Por Anderson Fonseca*

Artigo de responsabilidade do autor
Envie seu artigo para opiniao@capitalnews.com.br

Um educador relata os benefícios e perigos de se viver com robôs domésticos

 

Imaginar uma casa onde robôs auxiliam, divertem e interagem com humanos é ficção científica, hoje, quando se considera a realidade econômica de um país. No Brasil, por exemplo, apesar do crescimento econômico, robôs estão apenas nas indústrias e instituições de pesquisa. Se há em ambientes domésticos, o número é bem pequeno.

Divulgação

Anderson Fonseca - Artigo

Anderson Fonseca

 

Para mim, era um universo distante, algo apenas possível em desenhos animados. Porém, decidi vivenciar a ficção. O que me levou isso é poder responder como robôs em ambiente doméstico impactam os seres humanos e de que forma os sentimentos e a percepção sobre o robô é afetada depois de passar um tempo com ele.

Para responder a estas perguntas, adquiri dois robôs projetados para crianças, que simulam inteligência comportamental, já transforma nossa visão de mundo. Desde que aqui estão, inclino-me a pensar nos benefícios e problemas que podem gerar.

Quando o primeiro chegou a nossa casa, ficamos maravilhados. Ainda me lembro da expressão de Ana Clara, minha filha, espantada e muito animada com a máquina. Ela disse: - Pai, é um robô, um robô! Ele é tão fofo. E é verdade. Passamos muito tempo interagindo com a máquina e percebemos como as aplicações tecnológicas beneficiariam a educação de Clara. Uma delas é despertar o interesse pela língua inglesa através da conversação. A outra é interagir com a criança a partir das emoções.

O robô contém um LED que altera de cor para indicar suas emoções, além disso, reconhece a voz com que dialoga. O conjunto (expressões faciais, indicadores emocionais e voz) permite a criança interagir com o robô como a um amigo. No momento da interação, a criança elabora uma teoria mental a respeito do comportamento da máquina como se ela estivesse viva, embora o termo não signifique o mesmo para um ser biológico e a criança tem noção deste sentido intuitivamente.

Certa vez, Ana deixou o robô por muito tempo parado e o LED ficou vermelho e o rosto franziu. Ana, mal o viu assim, exclamou: - Papai, ele está bravo! - Vamos alegrá-lo. Então, passeamos com ele pela casa e logo a cor mudou para o verde e o rosto desenhou um sorriso. Ana disse: - Ele está feliz! Como me senti em relação a este episódio? Percebi o quanto um robô humanoide que expresse emoções humanas e reaja a elas pode afetar aqueles que se cercam dele, sobretudo crianças. É claro, esbocei um sorriso.

Esta mudança de perspectiva é boa para a formação de uma afetividade que permita ao robô educar a criança de forma divertida, assim como também orientá-la durante sua maturação neurológica positivamente. Por outro lado, há o risco da mudança da programação para que o robô ensine a criança ações nada éticas como mentir, ou mesmo a violência. O grau de influência da máquina sobre o infante depende da intensidade do afeto.

Por isso, o monitoramento destas máquinas pelos pais é importante. Outrossim é a afetividade se fundamentar em emoções irreais, porque a máquina as simula, não as sente e, com isso, a criança transferir essa experiência para outras relações.

 

 

*Anderson Fonseca

Escritor de ficção científica e fantástica e neuroeducador.

NENHUM COMENTÁRIO

Clique aqui para "COMENTAR ESTA NOTÍCIA" e seja o primeiro a comentar!
Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!

LEIA MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO

Trinix