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Opinião
Terça-Feira, 09 de Janeiro de 2018, 16h:32
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O touro Ferdinando

Por Oscar D'Ambrosio*

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Touros nascem para brigar e para ter a ilusão que podem matar toureiros, certo? Errado. Foi o que respondeu o escritor norte-americano Munro Leaf em 'Ferdinando, o touro' ('The Story of Ferdinand', no original), em 1936. Sua obra, ao mostrar um animal que detestava brigar e amava flores despertou, por mais incrível que possa parecer hoje, grande polêmica.

Unesp

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Oscar D'Ambrosio


Lançada nove meses antes do início da Guerra Civil Espanhola, foi proibida pelos partidários do ditador Francisco Franco naquele pais e queimada na Alemanha nazista sob a acusação de ser uma obra de esquerda pela sua mensagem pacifista. Por outro lado, o livro foi elogiado por Gandhi e traduzido em mais de 60 países.

Transformado em curta-metragem pela Disney em 1938, recebeu o Oscar na categoria. Agora volta às telas dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha. O touro que detesta conflitos e se sente bem ajudando os outros traz uma mensagem muito atual de respeito às diferenças e à diversidade de pensamento, mostrando que é possível ter a força de um touro e o coração de uma criança.

O filme de animação desperta, numa época em que a intolerância ameaça ganhar espaço, um suspiro de doce esperança. Os gestos faciais e corporais de Ferdinando de descontentamento sempre que é impelido a brigar apenas porque os outros touros vivem assim comporta um alerta: acreditar em si mesmo, mesmo perante tudo e todos, não é utopia. É prática consciente.

 

 

*Oscar D'Ambrosio

Doutor em Educação, Arte e História da Cultura e Mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, onde atua na Assessoria de Comunicação e Imprensa.

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