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Opinião
Terça-Feira, 05 de Dezembro de 2017, 07h:00
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Quem são os verdadeiros privilegiados do Brasil?

Por Antonio Tuccílio*

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Poucas pessoas não tiveram acesso à recente propaganda do governo federal em defesa da reforma da Previdência Social. Os anúncios foram veiculados em diversos meios de comunicação, incluindo intervalos de novelas e programas de tv, estes assistidos por milhões de pessoas em todo o país.

Divulgação

Antonio Tuccílio - Artigo

Antonio Tuccílio

 

A publicidade está suspensa por ordem da Justiça Federal (a Advocacia Geral da União [AGU] disse que vai recorrer. Portanto, esse quadro pode mudar). Independentemente de voltar ou não à mídia, acredito que o conteúdo apresentado merece atenção e, principalmente, críticas.

O presidente Michel Temer e a reforma da Previdência Social têm em comum a falta de popularidade. Não é segredo para ninguém que a população é contra essa PEC, porém Temer quer torná-la sua maior marca e não descansará enquanto não for aprovada no Congresso, mesmo que o texto seja mais enxuto.

Restou ao governo do pmdbista pensar em uma nova estratégia para mudar a opinião pública, o que resultou nessa propaganda descabida que fala em “combate aos privilégios”. É, no mínimo, hipócrita o governo criticar privilégios, considerando que os políticos representam uma das castas mais privilegiadas desse país.

O conteúdo da propaganda sugere que os servidores públicos recebem altas aposentadorias apesar de produzirem pouco. Será mesmo? Mais uma vez, acho que isso se aplica melhor à maioria dos políticos. Afinal, eles têm altas remunerações e boa parte produz pouco (há exemplos de deputados que estão na vida pública há anos e ainda não conseguiram aprovar um projeto sequer). Muitos faltam com frequência às sessões e ainda têm direito a uma série de penduricalhos e a um número abusivo de assessores.

O servidor público, por sua vez, trabalha como qualquer pessoa normal, precisa mostrar resultados e contribui com 11% do seu salário. Em alguns estados a contribuição é ainda maior. No Rio de Janeiro, por exemplo, o servidor contribui com 14%. Em outros varia de 13% a 13,5%.

Ao contrário do setor privado, em que o máximo de contribuição é de R$ 608 sobre o salário, no setor público o limite chega a R$ 3.700. Desde 2004 nenhum servidor se aposenta com integralidade e paridade. No setor privado, o tempo mínimo de contribuição é de 15 anos. No setor público é de 30 a 35 anos. No setor privado, há fundo de garantia; no público não há. No privado, o trabalhador pode ter dois empregos, se assim desejar, já no setor público é proibido por lei.

Além disso tudo, o servidor contribui com a Previdência mesmo depois de aposentado. Isso, aliás, é exclusividade do Brasil e já mostra que nenhum deles, de fato, recebe aposentadoria integral.

É isso que o governo chama de privilégios?

Existe um grupo de servidores com remunerações mensais altíssimas e que ainda recebem acima do teto. Mas é importante dizer que se trata de uma casta muito pequena e que não representa os servidores públicos como um todo. Os próprios trabalhadores do serviço público não apoiam essa turma. É um erro igualá-los, pois há um abismo enorme entre eles.

Antes de colocar nas costas do servidor público a culpa pela suposta falta de dinheiro nas contas da Previdência, o governo deveria olhar para o seu próprio umbigo. São eles, os políticos que querem nos impedir de aposentar, os verdadeiros privilegiados desse país.

 


*Antonio Tuccílio

Presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP)

1 COMENTÁRIO:

Exatamente isto!! São mentiras seguidas de mentiras. Privilegiados os há nas três esferas do poder mas, são eles: Deputados e Senadores; Magistrados; Membros do M.P e Servidores das altas esferas do executivo. A grande base da pirâmide é composta por servidores (que suam muito) com salários compatíveis com o Mercado . Encomendaram um relatório do banco mundial com "estudos" tendenciosos, hipócritas, sugerindo o abismo entre os salários dos servidores públicos comparado ao dos setor privado, quando bem sabem que , na verdade não são aqueles que ganham demais, mas estes que ganham de menos. E que gestores da economia são estes ?? Passados mais de um ano deste governo , onde as medidas macro econômicas fomentadoras do crescimento, emprego e aumento da arrecadação, de receita? Quantos, como efeito disto estão desempregados ou na informalidade, quando poderiam minimizar o deficit previdenciário se reinseridos ai Mercado? Isençoës fiscais ou parcelamentos delas a longo prazo a grandes grupos empresariais; Negociatas pérfidas com lobyes de bancadas políticas representativas de grupos empresariais e setores controladores de atividades diversas: ruralistas, mineradores... E esta mídia fisiologista, capitaneada pela Globo faz coro a esta repugnante sinfonia maquiavélica. Divorciados do comprometimento com a descência administrativa, só concebem como solução para os graves problemas sócioeconômicos as Reformas trabalhista e Previdenciária. É muita incopetência gerencial!! Nunca se viu neste país tanto cinismo, hipocrisia, perversão. Riem da dignidade; Debocham da honradez; Escarnecem da ética, da moral ...e, ecoam a máxima de Wandré: "...ainda falam das flores vencendo o canhão..."
enviado por: Murilo Martins em 14/12/2017 às 21:37:59
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