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Segunda-Feira, 09 de Julho de 2018, 10h:47
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Após série de decisões, manutenção de prisão de Lula gera conflito de interpretações

PGR diz acompanhar caso do ex-presidente e volta a defender prisão em Segunda Instância

Flávio Brito
Capital News

Após mais de nove horas de impasse no Judiciário, o presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, manteve a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Neste domingo (8), os desembargadores Rogério Favreto e João Pedro Gebran Neto travaram uma espécie de “guerra de despachos” na apreciação de habeas corpus impetrado por aliados do petista.  Um possível conflito de competência envolvendo o TRF foi citado em relação ao caso e chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota, a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, disse que a Justiça precisa decidir com rapidez, mas "sem quebra da hierarquia" e mantendo "o rigor absoluto no cumprimento das normas vigentes".

 

Sylvio Sirangelo/TRF4

Após série de decisões, manutenção de prisão de Lula gera conflito de interpretações

Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, em Porto Alegre (RS)

Em seu despacho, Thompson Flores afirmou que os argumentos usados no pedido de habeas corpus a favor do ex-presidente são os mesmos já submetidos e analisados pela 8ª Turma do TRF, inclusive o fato de Lula ser pré-candidato à Presidência da República. Segundo ele, “rigorosamente, a notícia da pré-candidatura eleitoral (de Lula) é fato público/notório do qual já se tinha notícia” no julgamento da 8ª Turma. O presidente do TRF foi provocado pelo Ministério Público Federal, que argumentou que a situação gerava insegurança jurídica.

 

Na decisão, Thompson deixou claro que Favreto, como plantonista do TRF, não tinha competência para liberar o ex-presidente. Ao revogar a decisão de Favreto, o presidente  da Corte mandou devolver os autos do processo ao gabinete de Gebran Neto, bem como informar a Polícia Federal de seu despacho.

 

Sylvio Sirangelo/TRF4

Após série de decisões, manutenção de prisão de Lula gera conflito de interpretações

Desembargador João Pedro Gebran Neto

A interpretação do imbróglio não é consensual no meio jurídico,  conforme especialistas ouvidos pela reportagem da Agência Brasil. Entre os argumentos está a citação da resolução 71, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que não permite a revisão decisões apreciadas pelo órgão judicial de origem e, portanto, o desembargador plantonista não teria competência para julgar o pedido de soltura, pois o TRF, o Superior Tribunal de Justiça e o STF já haviam decidido sobre a questão.

 

O ex-presidente do STF Carlos Velloso disse que Gebran Neto era o desembargador competente para julgar o pedido de habeas corpus. “Prevalece a decisão do juiz natural da questão, o desembargador relator, que reassumiu as suas funções”, afirmou.

 

Sylvio Sirangelo/TRF4

Após série de decisões, manutenção de prisão de Lula gera conflito de interpretações

Desembargador Rogério Favreto

“Não existe outra jurisdição hoje apta a proferir qualquer decisão no caso, se não o plantão judicial, é assim que está publicado no Diário Oficial da Justiça Federal, nomeando o Favreto como plantonista. Toda atuação que foge a essa jurisdição do plantão é uma atuação extraordinária, é uma atuação de exceção, como vem sendo infelizmente observado pela sociedade brasileira em tempos de expansão desse protagonismo político da Justiça”,  avaliou o doutor em Direito e professor da Universidade de Brasília, Antonio Escrivão Filho.

 

Ele explicou que, encerrado o plantão judicial, o plantonista envia o processo para a jurisdição competente. Neste caso, o processo de Lula está sob jurisdição do desembargador Gebran Neto, que é o relator, e a liberdade provisória seguiria para apreciação pela 8ª turma do TRF4, da qual ele faz parte. O professor explicou que o desembargador Gebran, assim como o juiz Sérgio Moro, apareceram no processo sem serem provocados dentro do procedimento normal da Justiça.

 

“Ele [Gebran] teria esse poder [de suspender a liberdade provisória] quando ele voltasse a trabalhar, porque o processo tem que seguir um rito previsto na lei processual e, quando encerrado o plantão judicial, o processo seria remetido então ao relator ao longo da semana”.

 

O que diz a PGR 

Após o impasse jurídico criado em torno de decisões conflitantes sobre a prisão do ex-presidente Lula, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, divulgou nota em que disse “acompanhar” atentamente o caso. Ela voltou a defender a execução da pena de um sentenciado logo após a confirmação da condenação em Segunda Instância pela Justiça.

 

“A PGR reitera a posição da instituição, que defende a execução da pena após a confirmação da condenação em Segunda Instância, o que garante o duplo grau de jurisdição e afasta a presunção de inocência, dando segurança jurídica às decisões”, diz o texto divulgado na noite de domingo (8) pela PGR.

 

Lula foi preso em 7 de abril após ter confirmada na segunda instância sua condenação por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá (SP). Desde então ele é mantido na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.  O  TRF4, Segunda Instância da Justiça Federal, que impôs a pena 12 anos e um mês de prisão ao ex-presidente, determinou a prisão, seguindo entendimento atual do Supremo Tribunal Federal (STF), que permite a execução de pena mesmo que ainda haja possibilidade de recurso a instâncias superiores.

 

Arquivo EBC

Após série de decisões, manutenção de prisão de Lula gera conflito de interpretações

Sede da Polícia Federal, em Curitiba (PR)

Entenda o conflito

O conflito jurídico começou na manhã deste domingo, ouco antes das 10h, Favreto acatou pedido de habeas corpus impetrado pelos deputados federais Paulo Teixeira (PT-SP), Wadih Damous (PT-RJ) e Paulo Pimenta (PT-RS), mandando soltar o ex-presidente. Em seguida, emitiu o alvará de soltura para que a medida fosse cumprida pela Polícia Federal, ainda ontem.

 

O juiz Sérgio Moro, titular da Lava Jato, ao tomar conhecimento da decisão, mesmo estando de recesso, disse que Favreto não tinha competência para liberar Lula e pediu a manifestação do relator da Lava Jato, Gebran Neto. Contrariando Favreto, o relator suspendeu a decisão que determinou a liberdade provisória do ex-presidente e determinou que a Polícia Federal do Paraná, onde Lula está preso, não tomasse nenhuma providência para soltá-lo.

 

Em novo despacho, Favreto reiterou a decisão anterior, mandando liberar o ex-presidente e dando prazo de uma hora para o cumprimento da medida. Segundo ele, o alvará de soltura estava de posse da Polícia Federal desde às 10h. Sem saber qual decisão seguir, a Polícia Federal decidiu aguardar. A prisão de Lula foi mantida após a decisão do presidente da Corte.

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