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Kemp critica uso de agrotóxicos e pede retratação da ministra

A ministra da Agricultura havia dito que no MS, as pessoas não passam muita fome pois podem se alimentar comendo manga

Leonardo Barbosa
Capital News

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O uso de agrotóxicos nas produções agrícolas no Brasil foi tema de debate entre os deputados estaduais durante sessão na Assembleia Legislativa na semana passada. A liberação de novos pesticidas pelo Governo Federal e a defesa do uso feito pela atual ministra da Agricultura, Tereza Cristina, foram questionados pelo deputado Pedro Kemp (PT) em discurso na tribuna.

 

“Eu estava escutando a fala da ministra, que é mais conhecida como ‘menina veneno’, fazendo a defesa da liberação de agrotóxicos que são proibidos em muitos países, querendo triplicar o uso nas lavouras, falando de forma positiva, sem nenhuma preocupação com a saúde pública ou o meio ambiente. Parece que só o que importa é o lucro e retorno financeiro aos produtores rurais. Não se questiona se são cancerígenos, se comprometem o desenvolvimento neurológico de crianças ou se causam câncer”, criticou Pedro Kemp.

 

A ministra defendia a comercialização de mais 31 agrotóxicos liberados pelo Governo Federal em ato publicado na última quarta-feira (10) no Diário Oficial da União, sendo que 16 deles foram listados pela Anvisa com a classificação toxicológica mais alta. Só em 2019 já foram liberados 86 agrotóxicos. O deputado Pedro Kemp relembrou o seminário promovido na Casa de Leis que trouxe diversos especialistas e dados sobre os danos causados pelos agrotóxicos. Segundo a agência oficial do Governo Federal, o Ministério da Saúde registra média anual até 14 mil intoxicações por agrotóxicos no país.

 

Zé Teixeira (DEM) defendeu o uso desses produtos. “Quando vejo esses comentários de que se ingere litros de veneno por comer o alimento, isso é utopia, porque bastava meio litro e já morria. Não existe lugar no mundo que não se use tecnologia para plantar uma lavoura. Não tem lógica você gastar mais do que ganhar para produzir. Se fizesse tão mal assim, por que os países desenvolvidos usam? E por que compram tanto do Brasil? Todo país usa herbicida para matar o mato e as pragas. E produtor orgânico não alimenta nem 1% da população mundial”, retrucou o deputado que também é produtor rural.

 

Para Barbosinha (DEM) o tema é controverso. “É difícil pensar que a média de vida no Brasil aumenta a cada dia. Isso é incompatível com a fala de que o agrotóxico faz tanto mal, pois se estivéssemos matando como dizem não teríamos a expectativa de vida aumentando a cada ano. Não podemos cair em discursos de países que competem com o Brasil. E quem mais protege o meio ambiente é o produtor, pois mantém as reservas legais”, defendeu.

 

Kemp retrucou apontando que nos Estados Unidos o glifosato é proibido por ser comprovadamente cancerígeno e que no Brasil há estudos que compram que os defensivos agrícolas estão presentes até no leite materno. “É bem ao contrário, o mundo desenvolvido não tem usado mais tanto agrotóxico e aqui tem fila. Nós estamos indo na contramão”, lamentou.

 

“Manga”

O deputado Pedro Kemp ainda discursou na tribuna para criticar fala da ministra Tereza Cristina em que disse que “nós não passamos muita fome porque temos manga nas nossas cidades”. Segundo o deputado, ela precisa se retratar publicamente. “Eu estou indignado. É revoltante ouvir isso de uma ministra, por tamanha falta de respeito com os pobres. Como assim não passamos fome, porque tem manga. Vai comer só manga então? Em vez de falar das políticas públicas para combater a miséria e a fome, quais serão as campanhas de segurança alimentar, diz que tem manga para comer? Isso é um absurdo”.

 

Os deputados Zé Teixeira e Barbosinha também defenderam a ministra, alegando que a fala foi retirada de contexto e que, de fato, não foi isso que ela quis dizer. “Quem a conhece sabe da sua simplicidade e humildade. Jamais disse isso em tom pejorativo”, afirmou Barbosinha. Os deputados João Henrique (PR) e Professor Rinaldo (PSDB) concordaram.

 

 

“A ministra estava enaltecendo o país tropical, que tudo que se planta colhe, aí pinçaram uma fala e não foi bem o que ela falou”, ponderou João Henrique. “Nós conhecemos a Tereza Cristina, ela é daqui [de Mato Grosso do Sul] sabemos o espírito altruísta que tem, e uma palavra fora de contexto se transforma em um pretexto. Ela jamais usaria algo para denegrir ninguém”, defendeu Professor Rinaldo.

 

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