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Revelações da CIA sobre execuções do Governo Geisel são debatidas por deputados

Memorando de 1974 denunciam autorização para “execuções sumárias" de adversários da ditadura militar

Flávio Brito
Capital News

Luciana Nassar/ALMS

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Pedro Kemp: "E tem gente por aí dizendo que não houve ditadura no Brasil. Temos que passar isso a limpo"

Revelações de um documento secreto de 1974, divulgado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos na semana passada, foram temas de debate durante a sessão ordinária desta terça-feira (15) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.  Em relatório endereçado ao secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger, o então diretor da CIA, William Egan Colby (1920-1996), afirma que o ex-presidente Ernesto Geisel (1974-1979) aprovou a continuidade das “execuções sumárias" de adversários da ditadura militar.

 

“A revelação estarrecedora comprova o que a gente já sabia, que a ditadura foi um regime de exceção. Somente quem teve um filho assassinado sabe o que foi a ditadura no Brasil”, disse o deputado Pedro Kemp (PT).

 

Ele reiterou que, conforme o documento divulgado pela CIA, Geisel teria ainda orientado o então chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), que viria a substituí-lo na Presidência, João Baptista Figueiredo (1979-1985), a autorizar assassinatos pessoalmente. “Temos que passar isso a limpo. E, inclusive, no que se refere a outros documentos, como os arquivos do Exército, se é que não foram destruídos”, afirmou Kemp.

 

O deputado cobrou a presença maciça do Estado em áreas de vulnerabilidade social para o efetivo combate à violência, em todos os níveis. Tanto, que até a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) escolheu o tema Fraternidade e Superação da Violência para a campanha deste ano. “Combatemos a violência com políticas públicas sociais. Onde entra o Exército e a intervenção, é porque já se perdeu o controle, infelizmente”.

 

O deputado Zé Teixeira (DEM) também defendeu a apuração de denúncias de crimes cometidos durante a ditadura, mas ressaltou a confiabilidade do Exército perante à população. “Eu tinha 24 anos naquela época [ditadura], trabalhava em região de fronteira e pude ver como as pessoas de bem se sentiam segura com a presença do Exército nas ruas. Claro que se deve apurar irregularidades, mas, para quem anda correto, todo regime é bom”, afirmou.

 

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