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Quarta-Feira, 25 de Janeiro de 2017, 10h:57
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De amor a contas: em profissão “dominada” por homens, “carteira” distribui gratidão onde passa

No Dia do Carteiro, Vivian conta como passou os 14 anos percorrendo ruas de Mato Grosso do Sul

Myllena de Luca
Capital News

Arquivo Pessoal

De amor a contas: em profissão “dominada” por homens, “carteira” distribui gratidão onde passa

 

Uma profissão que percorre a cidade e muitas vezes até Mato Grosso do Sul inteiro. Levando cartas de amor, saudade, esperança e até contas a serem pagas, o profissional diariamente cumpre objetivos de casa em casa. E quando fala nesta função logo vem a imagem de um homem entregando correspondências pelas ruas, não é mesmo?

Em um mundo onde mulheres lutam com força por direitos iguais, Vivian Batista de Arruda, de 34 anos, trabalha há 14 anos nos Correios. Começou no serviço de “carteiro feminino”, como são chamadas, com apenas 19 anos. Em busca da independência financeira, viu a oportunidade de começar a vida e foi mandada para Chapadão do Sul, interior de Mato Grosso do Sul.

Foi na pequena cidade que Vivian percebeu o quanto a profissão valia a pena e poderia ajudar o dia de alguém. Ao entregar um envelope para uma idosa, recebeu o convite que a surpreendeu: “eu não sei ler, pode ler para mim?” Naquele momento começou a fase mais bonita e difícil da jovem.

A carta tinha como emissor o filho da moradora, que havia deixado o lar em busca de uma vida melhor na maior cidade do país, São Paulo. Logo nas primeiras linhas, o jovem agradecia ao leitor das frases de amor para a mãe. As lágrimas da profissional Vivian não se controlaram. No texto, notícias e palavras maravilhosas acalmavam a mãe que desejava viver ao lado da pessoa que ama, mas pela distância havia perdido essa oportunidade.

“Ela continuava chorando e meu coração ficou apertado com aquilo"


O texto falava de amor, revelava o nascimento primeiro neto da senhora. Neste momento, a dona da carta chorava de forma incontrolável. O filho também contou que não morava mais na rua e não passava fome, pois havia conseguido um emprego e casa para se abrigar. “Ela continuava chorando e meu coração ficou apertado com aquilo. Foi um dos momentos mais difíceis para mim”, afirma Vivian.

Naquele dia, Vivian saiu da casa confiante e feliz por ter ajudado alguém. As histórias que os 14 anos de profissão ainda trazem são marcantes. Solteira e mãe de duas meninas, uma de 13 anos com paralisia cerebral e outra de 4 anos, a mulher sabe o que aquela idosa no passado sentiu ao saber que o filho não passava mais fome.

Arquivo Pessoal

De amor a contas: em profissão “dominada” por homens, “carteira” distribui gratidão onde passa

Vivian percorre ruas de Campo Grande


Com estas experiências e visitando casas, a profissional aprendeu a ter respeito pelo próximo e atenção. “Percebi que as pessoas, muitas vezes, precisam apenas falar. Amo entregar e escutar as histórias dos clientes. Recentemente ouvi a história de uma senhora que o marido, já falecido, participou da segunda guerra”, comentou.

Um olhar de gratidão é o que a faz voltar para casa realizada todos os dias. Vivian vê na profissão, a melhor forma de viver e aproveitar o que a vida oferece de bom. “Viva da melhor maneira possível e dê valor do nascer ao pôr do sol. Cuide, dê atenção para as pessoas como você gostaria de ser cuidado, pois o agradecimento na voz ou apenas no olhar daquela pessoa vale mais que ouro”, aconselha a profissional.

São 14 anos levando histórias de amor e conhecendo as melhores formas de aproveitar as facilidades e dificuldades de uma profissão. Hoje, 25 de janeiro Dia do Carteiro, Vivian lembra com carinho quais foram os motivos de nunca desistir fácil. “A pessoa pode não falar, mas um olhar com gratidão vale muito!”, finaliza Vivian.

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