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Domingo, 10 de Dezembro de 2017, 13h:15
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Drag queen por uma noite

Jornalista dá vida à ‘Víbora’ e relata o preconceito que sofreu como drag queen

Esthéfanie Vila Maior
Capital News

Arquivo Pessoal

Drag queen por uma noite

Renata virou drag queen por uma noite e deu vida à Víbora

A homossexualidade é considerada crime em mais de 70 países. Em oito deles, Mauritânia, Nigéria, Sudão,  Iêmen, Arábia Saudita, Irã, Iraque, Paquistão e Afeganistão, a punição é a morte. As informações são da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Intersexuais (Ilga).

 

Mesmo com a pena de morte para homessexuais em alguns países, o Brasil é o que mais mata travestis e transexuais no mundo. De acordo com a Rede Trans e o Grupo Gay da Bahia, no ano passado foram registrados 343 assassinatos de gays, travestis e lésbicas, vítimas de agressões físicas. Isso significa que a cada 25 horas uma pessoa com uma dessas orientações sexuais é morta. 

 

Foram estes dados e estatísticas que motivaram a jornalista Renata Sena, 22 anos, a escrever sobre o tema. “Os números me chocaram muito, então comecei a estudar mais sobre o alto índice de homicídio deste grupo”.

 

O livro Caminhos da Sexualidade Humana na Luta pela Felicidade,  tem como objetivo informar e conscientizar as pessoas sobre o tema, que ainda é tratado como tabu. “É um tema bastante complicado, ainda envolve muito preconceito. Essas pessoas precisam de apoio do Estado e da sociedade. A falta de apoio gera altos índices de depressão e suicídio”, explica. 

 

Cada capítulo conta a história de alguém que já sofreu preconceito. Gays, lésbicas, bissexuais, transsexuais, drag queens e até heterossexuais participaram das entrevistas, além de psiquiatras e psicólogos especialistas no tema. “Meu intuito era mostrar a diversidade da sexualidade humana, seja qual for a orientação”, conta. 

 

A jornalista levou o tema tão a sério, que quis sentir na pele o preconceito. Renata virou drag queen por uma noite e deu vida à Víbora. “Quando finalizei as entrevistas para o livro, senti que faltava uma visão minha mais intimista sobre o assunto. Senti a necessidade de vivenciar o preconceito que meus entrevistados sofreram. Me montei de drag queen e fui para uma balada para o público heterossexual. As pessoas acharam que eu era um homem vestido de mulher. Me olhavam com nojo, repúdio, comentavam”, relata.

 

Para Renata, a solução contra a homofobia é a conscientização e educação. “Parece clichê falar sobre educação, mas ela é o caminho. As pessoas julgam as outras pelas preferências sexuais, mas isso não determina caráter. É necessário explicar para as futuras gerações que não importa a cor de pele, classe social ou opção sexual , tem que haver respeito”, explica.

 

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