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Terça-Feira, 31 de Outubro de 2017, 17h:50
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Em Campo Grande, consumo consciente da população desmistifica o desperdício associado ao bem-estar

Capital sul-mato-grossense é exemplo no bom uso da água produzida

Ellen Albuquerque
Especial para o Capital News

No quintal da residência da artesã, Euza Quitéria de Lima (58), na região leste de Campo Grande/MS, o verde predomina. Ela já perdeu as contas, mas avalia que são mais de 200 tipos diferentes de orquídeas, cactos, rosas do deserto e suculentas em um jardim que foge do tradicional e foi implantado na parede. Este foi o jeito que ela encontrou de otimizar a irrigação e manter um espaço harmonioso e arejado sem que para isso seja preciso o aumento na utilização da água. “Quando tinha folhagens e ervas medicinais, no período mais quente, tinha que molhar duas ou até três vezes por dia para mantê-las vivas. Fiz a adaptação e consegui melhorar tanto no espaço como na economia, sem deixar de fazer o que mais gosto, que é cuidar delas”, afirma.

Ellen Albuquerque

Em Campo Grande, consumo consciente da população desmistifica o desperdício associado ao bem-estar

Artesã inverteu o jardim para otimizar irrigação

 

O técnico agropecuário, Lucas Teixeira, explica a funcionalidade da técnica aplicada pela artesã. “Teoricamente a água da irrigação recebida nos primeiros compartimentos, passa por todos os demais abaixo. Além do que, alguns vegetais exigem pouca irrigação e são mais resistentes ao calor, o que reduz a frequência com que precisam ser irrigadas”, ressalta.


Este comportamento reflete na posição ocupada pela Capital quando o assunto é desperdício. De acordo com a concessionária Águas Guariroba, a cidade perde cerca de 19% da água produzida, enquanto a média nacional é superior a 30%. O resultado, de acordo com a empresa é resultado do Programa de Redução de Perdas da concessionária.
 
Perda, que na verdade, é o que resulta da diferença entre o volume disponibilizado para o abastecimento público e o volume utilizado pela população. Entre as ações da iniciativa está o combate à fraude, a troca de hidrômetros antigos, ações preventivas e mais agilidade no reparo das redes e o maior controle de qualidade dos materiais utilizados pela empresa.
 
Outros métodos podem ser utilizados por empresas e escolas como, por exemplo, o reaproveitamento da água. “O aparelho de ar condicionado tem importante função de refrigerar e diminuir a temperatura do ambiente, mas também podem auxiliar na sustentabilidade com a captação da água e a reutilização em uma horta ou em outros locais”, acrescenta Teixeira.

O desperdício não tem vez no apartamento do supervisor de vendas, Ismael Korbes, na região central da Capital. Recentemente identificou dois vazamentos nos encanamentos do banheiro e logo buscou ajuda para sanar o problema. Ele não sentiu no orçamento, já que o valor do condomínio inclui serviços básicos como água e luz, mas isso não o acomodou. “Meus pais moram em uma região que sofre muito com a estiagem e é comum a restrição no abastecimento. Não achei certo ver tanta água sendo desperdiçada enquanto outros sentem a falta dela”.

A consciência ambiental começou desde cedo na casa de Luiz Fabiano (7), que tem nome de jogador e habilidade quando o assunto é consciência ambiental. Quando questionado sobre o tempo que leva para higienização de rotina, apesar de tímido, a resposta foi imediata. “Eu tomo banho bem rápido e quando vou escovar os dentes eu faço que nem o ‘Flash’ [super-herói que alcança velocidades altíssimas]”.

João Carlos Castro

Em Campo Grande, consumo consciente da população desmistifica o desperdício associado ao bem-estar

Pequeno e consciente do uso da água

A mãe do Luiz, empresária Bruna Noriega é quem dita regras de economia dentro de casa. “Aqui, conseguimos organizar todas as tarefas domésticas que precisam de água. Mantenho alguns rituais na hora de lavar a louça, limpar a casa e até mesmo o cachorro entra na rotina. Desde que adquiri um bebedouro automático mantenho a água limpa por mais tempo e reduzo o intervalo para troca”.

Assim como o Luiz, outros pelo menos 170 mil estudantes conheceram o programa Saúde Nota 10, e hoje estão por dentro do consumo consciente. A iniciativa, que existe desde 2006, leva informações didáticas sobre meio ambiente para a sala de aula. Para os adultos, a concessionária abre as portas para a comunidade, mais precisamente as lideranças comunitárias que visitam as estações de tratamento por intermédio do programa Afluentes. Aproximadamente 5,2 mil pessoas já participaram da ação.

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