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Domingo, 04 de Março de 2018, 08h:59
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Fotógrafo retrata diferentes formas de objetificação da mulher

Designer por formação e fotógrafo por paixão, Gabriel Quartin criou fotolivro para abordar o tema

Esthéfanie Vila Maior
Capital News

Gabriel Quartin

Fotógrafo retrata diferentes formas de objetificação da mulher

Rainha do lar: fotógrafo retrata o isolamento social da mulher

Conheci Gabriel Quartin em um festival multicultural. Uma amiga, essa da foto acima, nos apresentou. Ela já havia comentado sobre o trabalho que ele estava desenvolvendo com fotografia. Mas na hora não liguei uma coisa com a outra. Ou melhor, não associei a obra ao seu autor.

 

Dias depois, algumas fotos dele apareceram no feed do Instagram, interrompendo minha sequência de likes quase automáticos. Como jornalista (e curiosa) fui logo tratar de saber quem era o dono daquelas poesias em forma de imagens. O mundo visto por ângulos completamente diferentes me chamou atenção. Depois de bisbilhotar cada uma das 720 fotos postadas (pelo menos até a publicação desta matéria), quis saber a história por trás delas.

 

Cada imagem tinha muito o que contar. Algumas envolviam ficar preso no alto de um prédio com um pit bull latindo embaixo. Em outras foi necessário deitar no chão sujo da rodoviária. Teve até uma vez em que apontaram uma arma para ele (também espero que sua mãe não esteja lendo isso, Gabriel).

Gabriel Quartin

Fotógrafo retrata diferentes formas de objetificação da mulher

Educação e o abono de teorias femininas atrás da beleza: "A mulher é o único ser racional que precisa abonar suas teorias com um rosto bonito ou um belo par de pernas”, Heloneida Studart

“Da mesma maneira que Manoel de Barros precisava do desperdício de palavras, eu preciso de vestígios do mundo. Acho que eu falo melhor com os olhos e a fotografia pra mim é a melhor expressão do meu silêncio. Das artes é talvez a mais importante, não por grandeza, mas por provar que algo existiu. E gosto da ideia de revelar o mundo como descrito por Weston: mostrar-lhes aquilo que os olhos insensíveis perderam”, explica Gabriel Quartin, sobre seu amor por fotografia.

 

De tantas histórias e fotografias, um projeto em especial me chamou atenção. O Gabriel não se considera um fotógrafo profissional, embora pudesse muito bem ser. Na verdade ele é designer.

 

No fim da graduação ele decidiu pesquisar sobre a objetificação da mulher. Foi necessário muito estudo e leitura, nomes como Simone de Beauvoir e Betty Friedan fazem parte da lista (dá um google aí pra saber quem é). E claro, ele conversou e ouviu o maior número de mulheres que conseguiu. Dado todo esse processo, nasceu o fotolivro ‘O problema sem nome - dialética visual sobre a objetificação da mulher’.

Gabriel Quartin

Fotógrafo retrata diferentes formas de objetificação da mulher

"Da costela ao filé mignon", ensaio aborda atuais comparações de mulheres à pedaços de carne

 

“Mas Esthéfanie, um homem falando sobre este assunto?”. Sim, um homem falando sobre este assunto! O Gabriel, depois de perguntar a opinião feminina, escolheu ser porta voz de nós, mulheres, e retrarar a objetificação que sofremos.

A obra é composta por oito ensaios fotográficos. Cada um retrata um tema em particular:

- Mídia e a "bundalização"

- Educação e o abono de teorias femininas atrás da beleza - "A mulher é o único ser racional que precisa abonar suas teorias com um rosto bonito ou um belo par de pernas” Heloneida Studart

- Da costela ao filé mignon - construção bíblica e as atuais comparações à pedaços de carne

- Maternidade e o mito da mãe perfeita

- Rainha do lar - o isolamento social da mulher

- A exposição da mulher numa sociedade falocêntrica

- Manufatura e indústria da moda e sua padronização

- Lentes dos fotógrafos - olhar machista na fotografia

 

 

 

Objetificação da mulher

Mas afinal, o que é essa tal de objetificação da mulher? É analisar um indivíduo (no caso, a mulher) a nível de objeto, sem considerar seu emocional ou psicológico. Ou seja, é quando a aparência das mulheres importa mais do que todos os outros aspectos que as definem enquanto indivíduos.

 

A objetificação das mulheres está presente na sociedade mais do que imaginamos. Um exemplo clássico são os comerciais de televisão das marcas de cerveja. De acordo com um estudo do Instituto Patrícia Galvão e Instituto Data Popular, 84% dos respondentes concordam que o corpo da mulher é usado para a venda de produtos nas propagandas de TV e 58% entendem que a mulher é representada como objeto sexual nessas campanhas.

 

Como melhorar este cenário? O Gabriel dá a dica: reeducação social. “Viu alguém assobiando para uma mulher na rua?! Questione 'por que fez isso?' Com muita certa o assobiador não terá uma resposta”.

 

Você pode conferir o trabalho desse amante da fotografia no Instagram @gabrielquartin.

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