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Governo e produtores revisam para baixo a expectativa de produção na safrinha

Estiagem derruba produtividade do milho e safra deste ano pode ficar 28% menor

Flávio Brito
Capital News

Assessoria/Divulgação

Governo e produtores revisam para baixo a expectativa de produção na safrinha

Valorização do milho pode ajudar a manter faturamento, mesmo com produtividade menor

A falta de chuvas em regiões produtoras entre os meses de março e abril, quando a planta estava em desenvolvimento, aliada a outros fatores, como redução na área plantada, pode pode causar perda de até 28,27% a produção de milho em Mato Grosso do Sul, em comparação com a safra 2016/2017. Os dados constam no Relatório de Acompanhamento de Safras do Projeto Siga (Sistema de Informações Geográficas), serviço disponibilizado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), em parceria com a Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja) e o Sistema Famasul.

 

Governo do Estado e produtores estimam produtividade de 69 sacas de milho por hectare, o que deve resultar na produção total de 7,038 milhões de toneladas. A área ocupada na safrinha é de 1,7 milhão de hectares (ha). No ano passado, a área do milho atingiu 1,852 milhão de ha e, com chuvas regulares, a produtividade atingiu 88,3 sacas por hectare. Em virtude do bom desenvolvimento da lavoura, os produtores de Mato Grosso do Sul colheram a safra recorde de 9,8 milhões de toneladas.

 

A colheita ainda está no início, mas os dados que chegam confirmam queda na produtividade. Em alguns municípios mais afetados pela estiagem, como Amambai, a quebra pode chegar a 40%. Já na região Norte e Nordeste, que teve melhor distribuição de chuvas, se houver redução na produtividade, será pequena.

 

O secretário da Semagro, Jaime Verruck, observa que a falta de chuvas ocorreu no período crucial para a formação dos grãos. Conforme dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), ligado à Semagro, o índice acumulado de chuvas em abril do ano passado foi de 2.987 milímetros, em todo Estado, contra 972,6 deste ano. Isso explica a quebra na produtividade, afirma.

 

Outro problema foi o plantio tardio da cultura por conta do adiamento da colheita da soja, dessa vez por excesso de chuvas. Isso obrigou os produtores a plantar o milho em datas diferentes. “Hoje, temos algumas lavouras já sendo colhidas e outras em fase de crescimento”, observou. Sendo assim, a produtividade ainda pode melhorar.

 

Nesse caso a safra de milho de Mato Grosso do Sul se aproximaria da projeção feito pelo IBGE, também em parceria com a Semagro. Os números de abril do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) projetam safra de 8,6 milhões de toneladas, quebra de apenas 9% em relação ao volume colhido no ano passado.

 

Apesar da produção menor, ainda há boas chances de manter o faturamento na safrinha. O milho apresenta forte valorização nos últimos meses, puxada pela quebra na safra argentina e também devido ao desempenho abaixo do esperado em regiões produtoras como os Estados do Sul do Brasil e Goiás. A saca de 60 quilos, que foi negociada entre R$ 18 e R$ 20 na safra passada, está cotada a R$ 34,00 nesta safra, alta de 47% que pode compensar a quebra na produtividade.

 

Sintoma do bom momento para a lavoura é o percentual já negociado da safra de milho: 17,662%, aponta o SIGA. Nesse mesmo período do ano passado o índice negociado era de 14,88%.

 

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