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Quinta-Feira, 04 de Outubro de 2018, 08h:11
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Preço do leite apresenta queda após sete meses, diz Cepea

Órgão aponta que com a chuvas e aumento na produtividade o valor pode cair mais

Flávio Veras
Capital News

Famasul

Preço do leite registra recuperação em MS

Recuo no preço ao produtor esteve atrelado ao consumo enfraquecido de lácteos

Depois de sete meses em alta, o preço do leite ao produtor em setembro) registrou queda de R$ 0,7 centavos (ou de 4,6%), considerando-se a “Média Brasil” líquida do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Ainda conforme o órgão, o litro está sendo comercializado em média a R$ 1,47.

 

No entanto o estudo revela que, ainda assim, a média de setembro ficou 36% superior à do mesmo mês do ano passado, em termos nominais. O recuo no preço ao produtor esteve atrelado ao consumo enfraquecido de lácteos, que, por sua vez, registravam valores elevados, devido justamente à forte valorização do leite no campo neste ano. 

 

Vale ressaltar que a lenta recuperação da economia e a instabilidade do cenário político têm fragilizado o consumo, tendo em vista que a demanda por lácteos só é estimulada quando o poder de compra do brasileiro aumenta. Diante da incapacidade de o consumidor absorver novas altas, houve a necessidade de realização de promoções em agosto e setembro, resultando em queda no preço ao produtor neste mês. 

 

o levantamento ainda revela que no acumulado da segunda quinzena de setembro (até o dia 26), o leite UHT negociado entre indústria e mercado atacadista do estado de São Paulo se desvalorizou 0,9%. Apesar das vendas fracas, colaboradores relatam que os estoques estão baixos. 

 

Além disso, os volumes negociados de leite spot seguem estáveis, indicando que a oferta ainda segue enxuta, sem excedentes consideráveis para “inundar” o mercado. Por esse motivo, inclusive, o leite spot negociado em Minas Gerais registrou alta de 2,2% da primeira para a segunda quinzena de setembro. 

 

Segundo colaboradores consultados pelo Cepea, a expectativa é de queda nas cotações ao produtor para os próximos meses, com pressão vinda tanto da demanda, que segue fragilizada, quanto da oferta, já que o retorno das chuvas favorece a produção. No entanto, alguns fatores podem limitar esse possível crescimento da oferta, como o aumento dos custos de produção, especialmente por conta da valorização da ração. Isso associado ao cenário de queda na receita podem reforçar o desestímulo de produtores frente aos riscos de produção e comercialização, impactando os investimentos na atividade. 

 

Vale ressaltar, ainda, que a possibilidade de ocorrência do El Niño – fenômeno climático que influencia na distribuição das chuvas – entre novembro e dezembro pode prejudicar as pastagens e a safra de grãos. 

 

Diante desse cenário, a expectativa de que a produção em 2018 fique estável ou caia em relação a 2017 ganha força entre agentes do setor. Assim, uma competição entre indústrias para garantir matéria-prima pode diminuir a intensidade da queda dos preços no campo nos próximos meses.

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