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Adidas é a marca de roupas que mais combate o trabalho escravo, diz ONG

Por Pérola Cattini

Da coluna Bem-Estar
Artigo de responsabilidade do autor

Setor de vestuário, contudo, ainda apresenta notas insatisfatórias

Divulgação

ColunaMarcoEusébio

Dona de tênis icônicos como adidas Ultra Boost, Superstar, Originals e Advantage, a empresa alemã de artigos esportivos é a que mais combate o trabalho escravo no setor de vestuário, de acordo com relatório produzido pela organização não governamental KnowTheChain. De um total de 100 pontos possíveis, a adidas ficou com 92. Nike e Puma conseguiram, respectivamente, a pontuação de 63 e 61.

O bom resultado da companhia é fruto de um trabalho perene em algumas regiões como a Ásia. Há um cuidado especial na contratação de pessoal e proteção a imigrantes, fatores que contribuem para a alta pontuação. A marca também proíbe a subcontratação de outros prestadores por empresas que prestam serviço para a adidas. As medidas também foram fruto de uma forte pressão da opinião pública, depois de décadas de descaso e uso irregular de mão de obra pelo setor.

Marcas de fast fashion também tiveram um bom desempenho: Gap e Banana Republic obtiveram a terceira melhor nota do ranking (75), enquanto a inglesa Primark tirou 72 e a sueca H&M, 65. Essas empresas, segundo o relatório, lutam pelo fim do trabalho escravo por meio de treinamentos, mas ainda precisam aprimorar a cadeia de produção, desde a matéria-prima.

Os piores índices ficaram com grifes de luxo, embora também haja bons resultados. A Burberry tirou 52, a  Ralph Lauren, 58, e a Kering, 45. A Prada, de acordo com o relatório, ficou com apenas 5 pontos; a Hermés com 17; o grupo LVMH, 14; e a Salvatore Ferragamo, 13. Os salários indignos e as jornadas forçadas de trabalho, infelizmente, ainda são uma realidade para o setor. A média das 43 marcas pesquisadas ficou em apenas 37, o que revela o quanto o mercado ainda precisa amadurecer.

Uma pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Fundação Walk Free, em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), mostra que, em 2016, cerca de 40 milhões de pessoas foram vítimas da escravidão moderna, sendo que 71% eram mulheres e meninas. No mesmo ano, segundo a OIT, cerca de 152 milhões de crianças entre 5 e 17 anos foram submetidas ao trabalho infantil no mesmo ano.

Já no Brasil, entre 1995 e 2015, foram libertados 49.816 trabalhadores que estavam em situação análoga à escravidão no país. 95% dos trabalhadores libertados são homens, 83% têm entre 18 e 44 anos de idade e 33% são analfabetos. Além disso, os dez municípios com maior número de casos de trabalho escravo no Brasil estão na Amazônia, sendo oito deles no Pará.

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