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Alimentação e depressão: o que é importante saber

Por Pérola Cattini

Da coluna Bem-Estar
Artigo de responsabilidade do autor

Divulgação

ColunaBem-Estar

A depressão é uma doença sem cura. Ela pode ser aliviada, tratada, com certeza, mas sempre existirá enquanto seus gatilhos não forem eliminados. E de acordo com a medicina, um dos desencadeadores mais fortes dessa complicação psicológica é a alimentação.


Muito tem se estudado sobre a relação entre aquilo que comemos e a forma como nos sentimos psicologicamente. O que a medicina consegue afirmar após décadas de estudos científicos é que essa relação é íntima. Somos o que comemos, e tudo que ingerimos afeta nosso bem-estar e se temos ou não mais energia para o dia a dia.


Hábitos alimentares levam à depressão
Pesquisas recentes mostram que as causas da depressão relacionada à alimentação tem muito a ver com hábitos de vida. Pessoas que são mais adeptas a “hábitos de conforto” são mais propensas a desenvolver compulsões alimentares graves.


Normalmente são indivíduos que têm maior predisposição genética à depressão. Aliam isso a comportamentos como dormir tarde e acordar tarde, se alimentar na cama e trocar os horários das refeições. Todos esses hábitos geram problemas a nível molecular e psicológico que raramente são perceptíveis a um primeiro momento.


Essas pessoas costumam ter maior tendência também a se alimentarem com comidas muito industrializadas. Embutidos, enlatados, farinhas e açúcares refinados são produtos comuns na dieta alimentar. Carboidratos e gorduras saturadas também estão presentes.


Uma cultura de alimentação baseada em confort food é extremamente prejudicial. Além do aumento constante de peso que causam, começa a haver uma deficiência de nutrientes.


Ácidos graxos essenciais, vitaminas do complexo B, aminoácidos e minerais estão sempre em falta no organismo de quem sofre depressão ligada à alimentação. Muitos alimentos como frutas da estação, legumes, oleaginosas, carboidratos complexos, folhas verdes possuem ativadores de hormônios como a serotonina, responsável pelo bem-estar.


Má alimentação: um ciclo vicioso
Tudo que comemos nos afeta em todos os sentidos. O ser humano e aquilo que ele ingere tornam-se literalmente um só conforme as moléculas dos alimentos são absorvidas nos intestinos. Não é à toa que especialistas afirmam que os intestinos são o segundo coração do corpo humano.


Cerca de 70% do sistema imunitário está no trabalho intestinal. É lógico pensar, portanto, que a alimentação é responsável por grande parte das doenças que contraímos ou deixamos de contrair.
Infelizmente cada vez mais se fala em uma desconexão entre mente, corpo e os alimentos que consumimos. Muitas pessoas têm desenvolvido relações tóxicas com a comida, muito semelhantes àquelas desenvolvidas com drogas que causam dependência química.


Muitos casos de obesidade mórbida estão relacionados a uma conexão prejudicial com a alimentação. As pessoas consomem determinados alimentos, quase sempre farináceos, carboidratos simples e comidas industrializadas, na esperança de que esses produtos tragam calma e alento que a vida não traz.


Esse tipo de comportamento alimentar compulsivo gera um ciclo vicioso do qual é muito difícil sair. As pessoas não apenas engordam dezenas de quilos em muito pouco tempo. Elas passam a se tornar dependentes de um tipo de alimentação extremamente prejudicial para a sua saúde física e mental.


A depressão é uma consequência imediata, real e praticamente inevitável nesses casos. O sentimento de culpa é enorme. Come-se em primeiro lugar para se sentir bem frente a algum problema da vida. Depois come-se porque se está está frustrado com a própria alimentação. É um distúrbio de autopercepção perigosíssimo.


Depressão e alimentação: como resolver esse problema?
A ingestão de comfort food libera uma sensação enorme de prazer na hora em que esse tipo de comida é ingerido. No momento alivia os sintomas de tristeza e de mal-estar psicológico. A curto prazo, no entanto, o que se nota é um agravamento da depressão.


Essa doença costuma surgir a partir da alimentação quando o indivíduo desiste de cuidar de si. É uma tentativa de chamar a atenção daqueles que estão em volta para um problema que é muito grave.


Quebrar o ciclo vicioso depois que ele se inicia não é fácil. Exige mudança de mentalidade, suporte psicológico e profissional. Não basta cortar todos os alimentos prejudiciais da dieta se não houver um gradual trabalho de conscientização sobre o próprio corpo e a própria condição.


A prática de exercícios físicos e a ocupação da mente com coisas positivas é indispensável. Estudar, ler e se informar sobre alimentação é também saudável e recomendável. Conhecer os efeitos imediatos e a longo prazo de tudo que se ingere faz com que haja maior consciência sobre si mesmo e sobre a própria saúde.

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