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É correto chamar a Amazônia de pulmão do mundo?

Por Pérola Cattini

Da coluna Bem-Estar
Artigo de responsabilidade do autor

Afirmação não tem base científica, mas as queimadas podem ter efeito devastador para o clima e o regime de chuvas

Divulgação

ColunaBem-Estar

"Nossa casa está queimando. Literalmente. A Floresta Amazônica - o pulmão do nosso planeta, que produz 20% do oxigênio do nosso planeta - está em chamas”, disse o presidente francês Emmanuel Macron no auge da crise internacional sobre as queimadas no Brasil, em duas publicações nas redes sociais  - em inglês e em francês.  O mesmo raciocínio foi utilizado por celebridades como Leonardo DiCaprio e Cristiano Ronaldo. Acontece que do ponto de vista científico essa sabedoria popular não procede.

Na verdade, todo oxigênio produzido pela Amazônia é consumido pela floresta. Ela absorve dióxido de carbono (CO2) da atmosfera e o converte em moléculas de açúcar ou glicose e em oxigênio, que é devolvido à atmosfera. A grande questão é que durante a noite só se consome CO2 por meio da respiração das plantas. Portanto, no balanço, mais dióxido de carbono é produzido do que oxigênio, derrubando a hipótese de que a floresta seria o pulmão do mundo.

Quem faz esse papel, principalmente, são as algas marinhas. Elas são responsáveis por jogar quase 55% de todo o oxigênio produzido no planeta. Por outro lado, as queimadas e o desmatamento desenfreado possuem sim um efeito devastador para o planeta, embora não seja propriamente com o fornecimento de ar puro. Uma analogia melhor seria associar a Amazônia com um imenso purificador, que atua na qualidade do ar. Ela pode alterar o clima e o regime de chuvas de todo o planeta e uma mudança no ecossistema pode ser extremamente prejudicial para a natureza.

Segundo uma análise do Instituto de Pesquisa sobre o Impacto Climático de Potsdam (PIK), a floresta amazônica armazena entre 290 bilhões e 440 bilhões de toneladas de CO2. Nesse sentido, o desmatamento pode contribuir para um aumento de temperatura global. De acordo com a especialista em Amazônia do PIK, Kirstin Thonike, 20% dos 5,3 milhões de quilômetros quadrados da floresta já foram desmatados.

"Essa perda levou a um aquecimento de 0,8 °C e 0,9 °C na região, além de aumentar o período da seca", disse Thonike, em entrevista à Deutsche Welle (DW), emissora internacional da Alemanha. Nesse ritmo de desmatamento, a Amazônia pode chegar a um limite irreversível, com mudanças no clima e no abastecimento de água na região, tornando a floresta um local seco e inóspito para as espécies.

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