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Estudo revela que mais de 50% da população LGBTQIA+ teve piora da saúde mental durante a pandemia

Por Pérola Cattini

Da coluna Bem-Estar
Artigo de responsabilidade do autor

Danos econômicos e psicológicos estão entre maiores problemas apontados na pesquisa

iStock

ColunaBem-Estar

Em junho de 2021, o Brasil registrou a triste marca de 500 mil mortes causadas pela Covid-19. Há pouco mais de um ano, ninguém imaginou que chegaríamos a esse número. Mulheres, homens, crianças, pretos, brancos, indígenas, entre outros membros da sociedade brasileira, fazem parte das estatísticas aterradoras da pandemia. Mas, apesar de atingir a todos, o vírus foi mais cruel para certos grupos sociais.

A pandemia do novo coronavírus expôs a tão conhecida desigualdade brasileira, deixando alguns mais vulneráveis do que outros em relação à contaminação, garantia de leito hospitalar e impacto econômico, inclusive dentro das comunidades LGBTQIA+. Em países onde essas pessoas são estigmatizadas socialmente, elas têm menos oportunidades econômicas e, logo, são mais propensas à pobreza.

Enquanto lutam com as consequências da Covid-19, as comunidades LGBTQIA+ também enfrentam ataques violentos de homofobia e transfobia por parte de governos, políticos e membros da sociedade civil. Todos esses fatos em conjunto afetam a saúde mental dessas pessoas – foi o que revelou a pesquisa “Diagnóstico LGBT+ na pandemia”, feita pelo coletivo #VoteLGBT, com ajuda da Box1824.

De acordo com o estudo, 55% da população LGBTQIA+ apresentou piora da saúde mental durante a pandemia. Além deste, outros dois impactos são mencionados pelos entrevistados: o afastamento das redes de apoio (formadas por amigos ou espaços de acolhimento) e a perda de rendimentos.

De fato, a saúde mental piorou a nível global. Não bastassem as medidas de restrição e o isolamento social, muitas pessoas perderam parentes e amigos, ficaram doentes ou foram demitidas – situações que podem gerar problemas psicológicos. Ademais, muitos entrevistados falaram que a ausência de ajuda profissional, seja de psicólogos, enfermeiros ou aqueles do curso de farmácia, pode ter contribuído para o agravamento de seu estado mental.

Como muitos entrevistados ficaram à margem dos auxílios fornecidos pelo governo, tiveram de voltar às ruas para trabalhar, mesmo com o alto risco de contágio. Vale mencionar que, no ano passado, o desemprego entre as pessoas contempladas pela sigla LGBTQIA+ alcançou 21,6%, contra 12,2% de taxa total.

A pandemia agravou os problemas que as comunidades LGBTQIA+ enfrentam, incluindo discriminação, insegurança alimentar, falta de moradia, cuidados de saúde desiguais e taxas mais altas de problemas de saúde mental. Cabe ao poder público investir em políticas e ações afirmativas que contemplem essa parcela da população.

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