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Morte de grávidas por Covid-19 será quatro vezes maior em 2021, aponta Fiocruz

Por Pérola Cattini

Da coluna Bem-Estar
Artigo de responsabilidade do autor

Em apenas quatro meses, 2021 já ultrapassou número de óbitos de gestantes em todo o Brasil

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ColunaBem-Estar

No fim de maio, o Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19 (OOBr Covid-19) registrou 751 mortes de gestantes pela doença em 2021, 66% a mais dos números registrados ao longo de todo 2020. No início de abril, o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) havia registrado 653 óbitos, ou seja, foram quase 100 mortes em pouco menos de dois meses.


A situação é preocupante, principalmente porque as gestantes fazem parte do grupo de risco da doença e já deveriam estar sendo vacinadas. Em Santa Catarina, o número de óbitos de gestantes já é seis vezes maior que o de 2020, onde foram registradas apenas três mortes pela doença. Até o começo de maio já eram 26 vítimas, uma estatística sem perspectiva de melhora, já que a vacinação de gestantes no estado foi interrompida para priorizar apenas mulheres grávidas que possuem comorbidades.


O levantamento realizado pela Fiocruz também aponta que 60% das gestantes que morreram por Covid-19 não tinham nenhuma comorbidade; os números de Santa Catarina são semelhantes, onde apenas 50% das gestantes apresentavam algum tipo de problema grave de saúde. A partir desses dados, a condição de gravidez já está sendo considerada um fator de risco e vulnerabilidade por si só, o que justifica a necessidade de todas as mulheres grávidas serem vacinadas o quanto antes.


A previsão da Fiocruz é que, caso a vacinação não progrida em um ritmo relativamente rápido, o número de óbitos de gestantes seja de três a quatro vezes maior que a marca de 2020. No ano passado, gestantes e puérperas representavam apenas 9% de todos os óbitos em território nacional, enquanto em apenas quatro meses de 2021 já são mais de 20%.


De acordo com especialistas e profissionais do curso de enfermagem, a vulnerabilidade começa no terceiro mês de gestação, pois é quando o útero se expande e interfere na qualidade da respiração, limitando a expansão do tórax e as reservas respiratórias. Como o Covid-19 afeta diretamente os pulmões, as chances de desenvolver um quadro grave são muito maiores.


Já no caso das puérperas esse período é caracterizado por um risco maior de desenvolver coágulos sanguíneos, o que, consequentemente, pode levar à trombose. A Covid-19 também pode interferir nesse aspecto, criando um quadro ainda mais grave que coloca a vida da paciente em risco.

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