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Algoritmos de RH dificultam procura por trabalho, aponta estudo

Por Alice Bachiega

Da coluna Tecnologia
Artigo de responsabilidade do autor

Pesquisa de Harvard estima que algoritmos impedem 27 milhões de pessoas de conseguir emprego

iStock

ColunaMarcoEusébio

É cada vez mais comum a seleção de candidatos na hora da contratação contar com um auxílio da inteligência artificial (IA), que vai desde uma simples análise de currículo até a aplicação de testes online. Com os avanços tecnológicos, o processo que antes era demorado agora pode levar segundos. No entanto, um estudo recente da Harvard Business School revelou um lado negativo desta automação.


De acordo com a pesquisa, esse tipo de tecnologia pode estar impedindo cerca de 27 milhões de norte-americanos de encontrar um emprego em tempo integral, os transformando em "trabalhadores ocultos". São pessoas que se encaixam em uma das três categorias: trabalha em um ou mais empregos de meio período, mas está disposto a trabalhar em tempo integral; há muito tempo desempregado, mas à procura de emprego; ou não está trabalhando e não está procurando emprego, mas disposto e capaz de trabalhar, mediante as circunstâncias certas.


Ao explicar o motivo pelo qual esses profissionais são descartados na seleção, os acadêmicos dizem que o recrutamento automatizado atua com o propósito de minimizar o número de candidatos aptos a vaga. "Por exemplo, a maioria usa filtros (como diploma universitário ou posse de habilidades descritas com precisão) para atributos como ética de trabalho e autoeficácia. A maioria também usa o não cumprimento de certos critérios (como uma lacuna de tempo sem emprego de tempo integral) como base para excluir um candidato a se considerar, independentemente de suas outras qualificações”, diz o texto.


Dessa maneira, o software classifica os candidatos de acordo com o que falta em seus currículos, e não no que eles podem agregar para aquela determinada função, e por isso acabam rejeitando candidatos que poderiam obter um bom desempenho, caso fossem devidamente treinados, ao seguir os comandos automatizados. Segundo o documento, até 75% das empresas contratantes dos Estados Unidos estão usando essas tecnologias; Alemanha e Reino Unido também têm proporções semelhantes, com o índice de 54% e 58%, respectivamente.


Entre os grupos mais afetados pelo algoritmo das empresas, estão: cuidadores, veteranos, imigrantes, ex-detentos, pessoas com deficiência, pessoas com dificuldades de saúde mental, pessoas com histórico de abuso de substâncias ou álcool e pessoas cujo cônjuge mudou-se para uma nova cidade ou país. Idosos e pessoas sem qualificação, diploma, experiência profissional ou desempregados há longo tempo também foram afetados pela IA.


O relatório traz ainda algumas recomendações para as empresas que buscam preencher as vagas de emprego da instituição com mais diversidade, como: mudança de filtros “negativos” para “afirmativos”, enfatizando as habilidades e experiências específicas associadas ao cumprimento dos requisitos essenciais da função; e tornar o processo de candidatura mais acessível, visto que 84% dos entrevistados afirmaram possuir dificuldade em se candidatar.


Os pesquisadores conversaram com oito mil “trabalhadores ocultos” e 2.250 executivos do Reino Unido, dos Estados Unidos e da Alemanha.

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