O jogo exercita raciocínio rápido, habilidade para tomar decisões e poder de observação
O período de pandemia e isolamento social foi rico em reflexões sobre a vida remota e o que se pode fazer a distância. Pegando carona nessa reflexão, em 2021, foi lançado o filme Free Guy, que conta a história de um homem que descobre que faz parte de um jogo de videogame e que, teoricamente, tudo na sua vida é uma grande ilusão. A comédia, estrelada pelo maravilhoso Ryan Reynolds, mostra o quanto a vida dos games é semelhante à nossa e o quanto nossa determinação pode nos levar a lugares inesperados e inusitados.
Uma coisa é clara: se a vida real fosse tão cansativa e intensa quanto uma partida de videogame, não viveríamos muito mais do que 20 anos. Isso porque, para jogar, é preciso ter um raciocínio rápido, habilidade para tomar decisões e muito poder de observação. Quem tem a vida atribulada pode até se sentir em um jogo da vida real, mas você sabia que o videogame pode te ajudar em outras coisas, além de distração depois de um dia cansativo?
Ginástica da mente
Para treinar o corpo a ser veloz e ágil, as pessoas fazem exercícios físicos. Para tocar violão cada vez melhor, as pessoas treinam. Para correr de bicicleta, as pessoas andam. A mesma lógica serve para deixar a mente afiada, e é preciso utilizá-la. De acordo com um estudo recente, um importante aliado para essa ginástica do cérebro é o videogame, que ajuda na memória, foco, noção espacial e visão.
Ao contrário do que muitos pais pensam, alguns jogos de videogame não atrapalham os estudos, mas ajudam o cérebro a se exercitar e se tornar mais veloz. Quem chegou a esta conclusão foi a neurocientista cognitiva Daphné Bavelier, que utilizou eletrodos fixados ao couro cabeludo de jogadores para descobrir o que acontece no cérebro enquanto estão jogando.
Atenção, gamepad e ação
Dentre os jogos de videogame, o que exercita mais o cérebro, e por isso oferece mais benefícios cognitivos, são os games de ação, já que é preciso atenção e reação rápida, para uma ação efetiva no jogo. Em jogos de ação, o jogador está sob pressão, e qualquer atitude equivocada vale a vida no game; isso coloca o cérebro em uma situação de alerta, aguçando os sentidos de percepção como visão e audição.
Os videogames auxiliam também no treinamento da capacidade multitarefas do cérebro, com benefícios que podem ser muito úteis no dia a dia e no trabalho. São ativadas áreas no córtex frontal e no córtex parietal, responsáveis pela atenção descendente, que ganham eficiência e velocidade no processamento de informações.
Cérebros atletas
Um estudo realizado em 2003 concluiu que pessoas que jogavam videogame tinham melhor desempenho em resolver quebra-cabeças visuais do que aqueles que não jogavam. Além disso, o grupo que não tinha o hábito de jogar experimentou jogar por 10 dias, e conseguiu melhorar seu desempenho. O videogame de ação é uma espécie de academia do cérebro, e ficou comprovado também que ele é capaz de aumentar o raciocínio abstrato e a resolução de problemas.
A visão também sai no lucro. A pesquisa revelou que jogar 50 horas de videogame de ação durante nove semanas, o que dá quase uma hora de jogo por dia, melhora a percepção de contrastes, uma capacidade que vamos perdendo com o passar dos anos.
Se você já pensou que ficar no sofá não é sua praia, saiba que jogos de ação em geral irão causar um efeito semelhante no cérebro. Então, uma dica legal pode ser comprar airsoft, juntar uma equipe para se divertir e exercitar a mente.


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