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Fez, a cidade marroquina que parou no tempo

Por Raphael Granucci

Da coluna Viagens
Artigo de responsabilidade do autor

Perder-se é uma das melhores coisas para fazer na antiga cidade do Marrocos que atrai turistas do mundo todo

Divulgação

ColunaViagens

O que faz a medina de Fez, no Marrocos, tão única, não é apenas sua grandiosidade - mais de 8 km de paredes englobam 200 mil habitantes -, mas também o fato de se tratar de uma das maiores zonas sem veículos do mundo. Mesmo um carro pequeníssimo (como um Mini) teria dificuldades para se movimentar pelas vielas da cidade.

Construída no século 9⁰, Fez foi projetada com cinco elementos em cada área: uma mesquita, uma fonte, uma fornaria, uma escola de leitura do Alcorão e um banho a vapor. Entre eles, inúmeras vielas, ruelas e passagens que deixam a grande maioria dos turistas perdida - e que também fazem a alegria dos guias turísticos locais. As ruas não possuem nome nem marcações, assim como não há mapas disponíveis nem sinal de GPS.

"É somente você, 9 mil caminhos sem nome, 40 mil ruas sem saída e seu senso de direção para guiá-lo", afirma Vitorino Oliveira, estudante brasileiro que vive na Suíça e foi ao Marrocos em janeiro.

Segundo ele, os cheiros podem ser uma maneira efetiva de se orientar pelas ruelas de Fez. Um dos mais comuns de se reconhecer é o que sai dos curtumes Chouwara, uma das vistas mais memoráveis da medina: ali peles de couro repousam nos telhados para secarem ao sol enquanto homens sabiamente pulam entre vasos circulares de tintas amarelas, azuis e vermelhas.

A técnicas foram mudadas desde que os curtumes foram construídos, no século 16, quando Fez substituiu Córdoba, na Espanha, como centro de produção de couro. As ruas medievais de Fez (532 km de Marrakech) também a fizeram ser registrada como Patrimônio Histórico Mundial pela Unesco, mas ela possui outro grande rótulo: é a maior área urbana livre de carros do mundo.

Além dos curtidores, há artesãos em todos os lugares que se olha em Fez: alfaiates, sapateiros, ferreiros e carpinteiros criando de tudo - de vestidos de noiva até caixões funerários. Segundo Vitorino, ao contrário de quase todo mercado marroquino, como o de Marrakech, ou de qualquer lugar como esse no mundo, em Fez o turista passa quase despercebido.

"Isso talvez mude por causa das passagens aéreas diretas para a cidade, mas até o momento os vendedores não ficam implorando pelo seu dinheiro. Eles ficam gratos quando você compra algo, mas ninguém vai ficar te puxando, porque o mercado de Fez é, há 850 anos, feito por uma pequena comunidade que preserva seu senso de funcionamento", diz ele.

Na Praça Seffarine, onde é possível sentar-se para tomar um chá, artesãos colocam seus produtos fora das oficinas, vendendo-os ao público transeunte: incensos, xícaras, bules de chá e panelas específicas para fazer samovar. Há também como comprar um pote de bissara - uma sopa de feijão local servida com azeite de oliva e pimenta. Por trás das portas do Palais Amani, um riad datado do século 17 e reconstruído nos anos 1920 após quase ser demolido, funciona um dos hotéis mais charmosos da medina, onde vários turistas internacionais costumam se hospedar.

Transformação
Fez, a capital cultural e espiritual do Marrocos, pode ficar atrás de Marrakech quando se trata de restaurantes sofisticados e riads elegantes, mas está passando por uma transformação gigantesca em suas ruelas medievais: edifícios antigos estão sendo restaurados, designers estão dando nova vida aos artesãos mais velhos e chefs estão inaugurando locais excelentes para se comer.

Uma agência estatal, a Ader-Fès, foi criada em 1989 para encabeçar a ambiciosa restauração da medina do século 18 de Fez, que passou a receber milhares de turistas a partir de passagens aéreas diretas ligando capitais europeias ao município, há dois anos. Ao final do ano passado, 3,3 mil construções, algumas com riscos sérios de cair, foram postas a salvo por meio do programa, enquanto 27 monumentos foram restaurados com a ajuda do Banco Mundial e de outros financiadores privados.

Um dos edifícios mais famosos que fizeram parte das restaurações foi o da Livraria Qarawiyyin, que se acredita ser a mais velha da história do mundo - casa de tesouros como um Alcorão do século 9⁰. Até o final do ano passado o prédio ainda não estava aberto para visitações, mas operadores turísticos locais já organizam visitas privadas acompanhadas do time de restauradores.

Quatro dos foundouks (hospedarias marroquinas usadas por mercantes viajantes) de Fez foram restaurados com a ajuda de uma agência estadunidense de fomento e abriram novamente no ano passado. O foundouk Chemmaine e Sbitryine, do século 13, foi reaberto com exposições permanentes de artefatos como baldes de banho turco feitos em madeira e pentes de chifres de gado, além de cafés e oficinas.

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