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Inglaterra sonha em sediar Copa de 2022 após escândalos da Fifa

Por Raphael Granucci

Da coluna Viagens
Artigo de responsabilidade do autor

País aposta na estrutura e nos estádios prontos para substituir o Catar caso as denúncias de propinas continuem

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ColunaViagens

A Inglaterra ainda sonha com a possibilidade de sediar a Copa de 2022 e é abastecida mensalmente por reportagens jornalísticas e até boatos de que a Fifa, entidade principal do futebol mundial, tem planos secretos para substituir o Catar caso a situação na Península se deteriore ainda mais.

Desde o começo do ano, uma ação unilateral de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, assim como Egito, que tem fortes laços com Doha, acusa o Catar de apoiar o terrorismo e de desestabilizar a região -- acusações que os cataris negam.

"Nós sempre dissemos que a Copa é um torneio regional, que é um evento para as pessoas da região, e nós estamos trabalhando muito forte para garantir que essas pessoas sejam beneficiadas com ela", disse Hassan al-Thawadi, secretário-geral do Supremo Comitê de Entrega e Legado do Catar.

A imprensa britânica chegou a sugerir que o país não vai conseguir receber o evento sozinho e terá que dividi-lo com Omã e Kuwait.

Além disso, os rumores são alimentados por conta do vazamento constante de denúncias envolvendo a escolha do Catar com propinas pagas a dirigentes da entidade. Michel Platini, ex-jogador e ex-presidente da Uefa, foi detido por horas na França no mês passado como parte de uma investigação envolvendo a seleção do país árabe para receber o próximo Mundial.

"Dói por tudo que eu fiz. Dói muito. Mas depois de tudo, eles fizeram o trabalho deles e nós tentamos responder todas as perguntas. Foi demorado, mas dado o número de questões, não poderia ser diferente. Eu me sinto totalmente estranho a esses assuntos", disse Platini após deixar o interrogatório. "Eu sempre me expressei com transparência total em todos os jornais", completou.

Um jornal britânico publicou uma reportagem explosiva em maio afirmando que a Fifa recebeu R$ 3,5 bilhões em propinas para dar ao Catar o direito de receber o evento. Não é a primeira vez que alegações de negócios obscuros entre o Catar e a entidade máxima do futebol aparecem, mas com menos de três anos para o início do evento, a última exposição veio como uma avalanche entre os comitês organizadores e a Fifa.

Informações extraoficiais dizem que o Catar ofereceu R$ 1,9 bilhão à Fifa, então comandada pelo suíço Joseph Blatter, apenas três semanas antes do anúncio dos direitos de sediar o torneio de 2022, há nove anos. Segundo a reportagem, o governo catari e a emissora Al Jazeera ainda anunciaram um contrato de transmissão dos jogos no valor de R$ 1,6 bi à época, sem contar possíveis leilões judiciais. Por último, a Fifa recebeu a promessa de receber outros R$ 400 milhões em bônus, caso o campeonato saia como esperado.

A Inglaterra era uma das favoritas a receber o torneio de 2022, mas a candidatura perdeu força depois que a Fifa escolheu a Rússia como palco da Copa do ano passado -- normalmente, a entidade não organiza um Mundial no mesmo continente duas vezes seguidas. No entanto, a Fifa já admitiu que mantém discussões sobre retirar o campeonato dos cataris e dá-lo de presente a outro país depois que seguidas controvérsias envolvendo altos dirigentes vieram à tona.

O Catar também está sob intensa observação em relação ao tratamento dado aos migrantes trabalhadores, e grupos de direitos humanos já expressaram preocupações com a segurança dos canteiros de obras dos estádios. Três fatalidades envolvendo operários já foram registradas e nove mortes de trabalhadores fora do período de trabalho foram relatadas às autoridades locais.

A Inglaterra aposta também no fato de já ter os estádios e a estrutura para receber o torneio: cinco deles têm todos os padrões da Fifa: o lendário Wembley, com capacidade para 90 mil pessoas, o Old Trafford, em Manchester, para 75 mil, e outros estádios de Londres, como o do Tottenham e o do Arsenal (Emirates Stadium). A última Copa sediada no país foi em 1966, quando a seleção inglesa ganhou seu único título mundial.

O Catar venceu as propostas de Austrália, Japão, Coreia do Sul e dos Estados Unidos em 2010 para ter o direito de sediar a Copa, se tornando o primeiro país árabe a recebê-la. Uma das promessas à época era criar um legado para o Oriente Médio, mas desde então passou por diversos questionamentos internacionais que chegaram ao seu grau mais elevado no mês passado, quando Platini foi detido sob acusação de parte de um esquema de propina para escolher o país árabe como sede do Mundial de futebol.

Além de Platini, um antigo conselheiro do ex-presidente da França, Claude Gueant, também foi apontado como suspeito. Platini foi presidente da Uefa entre 2007 e 2015, quando foi banido do futebol por decisão do Comitê de Ética da Fifa. O homem que ficou conhecido mundialmente como um dos melhores jogadores da história do futebol francês é acusado de ter recebido R$ 7 milhões de propina do então presidente da entidade, Joseph Blatter -- ambos estão novamente banidos do futebol até 2023.

A Copa do Mundo do Catar começará no dia 21 de novembro de 2022, com a final sendo decidida no dia 18 de dezembro.

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