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Para nova governante de Madrid, trânsito é parte da identidade cultural da cidade

Por Raphael Granucci

Da coluna Viagens
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Isabel Díaz Ayuso, que deve ser escolhida por seu partido para governar a comunidade, ainda terá um prefeito do mesmo grupo político para lhe ajudar

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Madrid, capital da Espanha, pode ser a primeira capital europeia a abandonar as zonas de baixa emissão de gases, depois que as eleições regionais no país levaram à administração da metrópole um grupo que vê o trânsito madrilenho como parte da "identidade cultural da cidade".

Isabel Díaz Ayuso, que deve se tornar a nova presidente da região de Madrid pelo Partido Popular (PP), disse que o congestionamento em Madrid, que costuma existir até mesmo durante as madrugadas, faz com que a cidade seja especial. Ela já afirmou que, assim que assumir o controle da cidade, vai tentar reverter o projeto conhecido como Madrid Central, que tem diminuído a poluição urbana desde a sua implementação.

Durante a campanha eleitoral, Ayuso disse ao jornal El País que o trânsito não é motivo para felicidade, mas que também é um sinal de que as ruas estão sempre vivas". "Congestionamentos são parte da vida em Madrid", afirmou. As eleições municipais espanholas aconteceram no último final de semana de maio e são organizadas de modo que os eleitores votam apenas nos partidos, cabendo a eles decidir quem serão os dirigentes de cada região -- em Madrid, o PP ganhou maioria do parlamento.

Uma mudança no sistema do Madrid Central poderia marcar a primeira vez que uma grande capital europeia volte no tempo com relação a medidas climáticas. O projeto foi duramente atacado pelos conservadores por ser um totem do movimento Mas Madrid, da líder de centro-esquerda Manuela Carmena, que governou Madrid de 2015 até este ano pelo Podemos, também de esquerda. O novo prefeito de Madrid, José Luis Martínez-Almeida, outro membro do PP, disse que sua primeira ação seria focar no fim do projeto.

Apesar de ser um dos pilares da campanha, Martínez-Almeida afirmou que seu partido prioriza a limpeza e conservação das ruas. Javier Ortega, secretário-geral do Vox, partido de extrema-direita que fez parte da coalizão eleitoral, engrossou o discurso: "Começando amanhã, o Madrid Central acaba", afirmou em entrevista coletiva.

A mudança do projeto coincide com um processo de crescimento dos partidos verdes na União Europeia: nas eleições legislativas do bloco, realizadas em maio, os "verdes" tiveram o melhor resultado da história, ganhando 69 assentos -- eram 51 até então.

Mais espetacular, os verdes dobraram suas cadeiras na Alemanha e acabaram em segundo lugar, atrás apenas do partido de centro-direita CDU (União Democrata Cristã), da chanceler Angela Merkel. Partidos verdes também terminaram na segunda colocação na Finlândia (16%) e na terceira em países como França e Luxemburgo, além de ganharem os primeiros assentos da Irlanda em 20 anos.

No entanto, partidos verdes ganharam apenas dois assentos em toda a Europa Central, da Áustria, e nenhum da Europa Oriental. Em Madrid, as regras, se por um lado diminuíram o fluxo de carros privados nas regiões centrais da cidade, por outro fortaleceram os serviços de transporte, como Uber, e as empresas de renta de autos -- locadoras de um dia existentes em algumas metrópoles europeias e no México.

Segundo a Agência Ambiental Européia (EEA, na sigla em inglês), cerca de 30 mil espanhóis morrem por ano por danos resultantes da poluição. Com um mês de lançamento, em novembro do ano passado, o projeto Madrid Central diminuiu o trânsito na cidade em 24% e diminuiu os níveis de emissão de óxido de nitrogênio (NOx) em 38%. As emissões de CO2 também caíram 14%.

Testes de poluição feitos ao redor da Plaza del Carmen em abril mostrariam que as taxas de dióxido de nitrogênio (NO2) despencaram quase 50% em comparação com 2018 -- chegando ao seu melhor nível desde 2012. O projeto foi elogiado por agências ambientais internacionais e nacionais.

Carmena, uma figura popular na política espanhola, fez com que seu partido, o Más Madrid, disputasse as eleições sozinho. Apesar da falta de coalizão resultar no maior grupo político do sufrágio, ele não conseguiu formar maioria. O Ciudadanos, de centro-direita, disse que não dialoga com o Vox, mas é provável que eles formem uma coalizão se uma acomodação entre o partido de extrema-direita e o PP surgir pós-eleição.

Mesmo assim, o assunto do desmantelamento do Madrid Central será complicado, já que os ambientalistas preparam uma reação à ideia dos novos administradores na Justiça.

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