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Viagens de carro devem fazer parte do cenário pós-pandemia

Por Raphael Granucci

Da coluna Viagens
Artigo de responsabilidade do autor

Trajetos mais curtos entre cidades próximas são os deslocamentos mais indicados

Divulgação

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A pandemia do novo coronavírus vem impondo uma série de restrições ao estilo de vida que era adotado até meados de março no Brasil. Com o crescimento de casos, não só trabalho, estudo e passeios tiveram de ser adaptados, mas também as viagens, que, de início, foram canceladas ou adiadas. Quase cinco meses depois do primeiro registro de Covid-19 no país, o turismo ensaia uma retomada, mas desta vez as viagens de carro entre locais próximos ganham destaque.


De acordo com especialistas, essa preferência dos cidadãos por deslocamentos mais curtos e em um automóvel acontecerá como medida preventiva e também pelo medo de pegar a doença. O mesmo comportamento foi registrado na China, em que 77% dos mil chineses entrevistados, de 18 a 24 anos, deram prioridade aos destinos nacionais em sua primeira viagem após a quarentena. A pesquisa foi realizada pela consultoria Oliver Wyman.


Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), os desembarques internacionais devem apresentar uma queda de 60% a 80% no mundo em 2020. Sendo assim, serão entre 850 milhões e 1,1 bilhão de turistas a menos circulando pelos países.


Mesmo com essas viagens mais particulares, apenas com a família em um veículo próprio ou com um aluguel de carros, o Brasil vai na contramão das demais nações, que só permitiram o deslocamento depois que o pico da doença foi atingido e regrediu por algum tempo. “Aqui ainda não é o momento em que eu recomendaria para viajar”, alerta Francisco Ivanildo de Oliveira Júnior, médico do Hospital Emílio Ribas. “Quando a gente está falando de turismo está falando de deslocamento. A doença viaja com as pessoas.”


A OMT também chama a atenção para as chamadas bolhas regionais, em que os cidadãos podem viajar para países que fazem fronteira com o que eles vivem. “O que mais se configura no mundo são as bolhas, por exemplo, entre a Austrália e a Nova Zelândia e entre os países bálticos”, explica Luiz Gonzaga Godoi Trigo, professor do curso de Lazer e Turismo da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (USP).


Entretanto, para os brasileiros, essa é uma realidade distante, já que países como Uruguai, Argentina e Paraguai estão com as fronteiras fechadas pelo menos até setembro.

 

Alternativas
Para especialistas, a retomada segura das viagens deve seguir a ordem de carro, trem e ônibus. Os aviões e navios serão os últimos no “novo normal”. Mesmo assim, o protocolo segue o mesmo: distanciamento dos outros passageiros, máscaras e higienização rigorosa.


Ainda assim, as companhias aéreas já registram aumento no número de voos entre cidades e estados brasileiros. Apenas na última semana de maio, no aeroporto de Guarulhos houve alta de 48% na média diária de voos. Em junho, o setor de turismo registrou alta pela primeira vez desde o começo da quarentena, com 28% de alta em relação a maio, de acordo com um levantamento realizado pela Conversion, empresa de consultoria de SEO e marketing de performance.


Nos aeroportos, há a adoção de alguns procedimentos para evitar que pessoas contaminadas prossigam viagem e que os demais passageiros fiquem seguros durante os deslocamentos. Regras mais rígidas no embarque, rastreamento de passageiros por aplicativos e novos protocolos em hotéis fazem parte das precauções.


Para Luiz Gonzaga Godoi Trigo, as viagens de avião devem durar no máximo três horas no início da retomada. “Na classe econômica, vai todo mundo amontoado. Lá no meio, é impossível você não se contaminar. As pessoas vão ter medo no começo”, afirma ele.

 

 

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