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Volta do futebol agora é flertar com lockdown, diz Mandetta

Ex-ministro falou à ESPN sobre desejo de federações, com apoio do Presidente, de retomar campeonatos

Rogério Vidmantas
Capital News

Agência Brasil

Luiz Henrique Mandetta foi ministro da Saúde do governo Bolsonaro até o início de abril

A volta do futebol no Brasil não deve ser prioridade sob risco de atrasar ainda mais a volta à normalidade. O alerta foi feito pelo sul-mato-grossense Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde. Mesmo sendo um dos ministros mais populares e de melhor avaliação no momento de crise do coronavírus, ele foi substituído no início de abril por Nelson Teich por determinação do Presidente Jair Bolsonaro. 

 

Na última semana, Mandetta deu entrevista à ESPN Brasil e comentou sobre a intenção de algumas federações, impulsionadas por declarações do Presidente de que a volta do futebol seria importante, inclusive para a economia do país, posição frontalmente rechaçada pelo ex-ministro. “Ao meu ver, temos outras medidas mais importantes a fazer antes de falar de futebol. Acho que a gente estaria atropelando a história natural desse vírus. Não tem elementos para fazer essa decisão no momento. Estamos aumentando o número de casos. Seria decidir pelo retorno e logo na frente ter que suspender. Seria flertar com a possibilidade de uma quarentena mais rígida, de um lockdown, como se chama. Seria a possibilidade de colocar o futebol como um dos corresponsáveis de uma situação crítica para a sociedade. Não faria bem ao futebol”, disse.

 

Segundo Mandetta, uma retomada equivocada das atividades, inclusive do futebol, pode ser obrigar as autoridades a tomarem, em seguida, medidas ainda mais duras para tentar controlar a pandemia, como o bloqueio total da movimentação e por mais tempo. "Quando você quer acelerar a volta, você corre o risco de acelerar [a transmissão] em nome do esporte ou da economia. Essa aceleração pode levar a um quadro de transmissão desordenada que leva o espaço urbano ao que estão chamando de lockdown. E quando a cidade tem que apelar para esse tipo de medida, a economia, o futebol, a cultura levam muito mais tempo para se recuperar", explicou.

 

Bola rolando

Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Grêmio Treino

Grêmio iniciou os treinos, sob alguns cuidados, na última terça-feira

 

Na Coréia do Sul o campeonato, que deveria ter começado em fevereiro, teve a primeira rodada neste fim de semana. Na Alemanha, a Bundesliga será retomada no próximo dia 16. Nos dois casos, jogos com portões fechados, sem a presença de torcedores, evitando assim aglomerações. Mandetta chegou a comentar a volta do futebol no país europeu, alertando que lá é uma realidade muito longe da enfrentada pelo Brasil. 

 

Segundo ele, a pandemia não pegou, necessariamente, os germânicos de surpresa.  "A Alemanha vai fazer um protocolo muito rígido. É um dos poucos países que tinha uma capacidade instalada. É um país que trabalha em seus hospitais com redundância: tudo que ela tem ativo, tem no depósito do hospital em dobro. Então, quando teve necessidade, expandiu a rede muito rapidamente. E tem profissionais muito bem formados", explicou Mandetta.

 

No Brasil, alguns clubes, como Internacional e Grêmio, voltaram aos treinos essa semana, respeitando algumas orientações de distanciamento entre os atletas e profissionais. Outros orientam virtualmente os atletas para treinos dirigidos em casa e estudam a retomada das atividades nos próximos dias.

 

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