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Sexta-Feira, 02 de Agosto de 2019, 16h:31
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Inflação ameaça consumo de churrasco na Argentina

Preço da carne subiu quase 70% nos últimos tempos no país

Vinícius Mendes
Especial para o Capital News

Divulgação

Inflação ameaça consumo de churrasco na Argentina

Não é de hoje que a Argentina vive uma grave recessão econômica. Apesar das muitas medidas adotadas pelo Governo Macri, o país sul americano vê o dia a dia da sua população ser cada vez mais afetado de forma negativa. A inflação que assola o povo argentino tem se agravado desde abril de 2018.

Desde esse período, produtos habituais na mesa dos cidadãos estão cada vez mais escassos. Um dos que mais se ausentam dos pratos das famílias argentinas é, infelizmente, a carne.

Como se sabe, os hermanos do Rio da Prata são grandes apreciadores de carne assada. O churrasco argentino, inclusive, é tão famoso no exterior quanto o brasileiro. A qualidade do gado na Argentina é reconhecida em praticamente todo o mundo.

Não é à toa que os habitantes do país estão frustrados. O elevado preço da carne vermelha no país tem dificultado o acesso dos argentinos aos cortes mais comuns na sua chamada parrillada.

De acordo com o presidente da Associação de Proprietários de Açougues de Buenos Aires, Alberto Williams, o consumo caiu drasticamente em apenas um ano.

Estima-se que, assim como em cidades do sul do Brasil, os argentinos consumissem churrasco pelo menos uma vez por semana. Hoje, com sorte, é uma vez por mês ou mesmo uma vez a cada trimestre.

Preço da carne subiu em um ano 67,1%
Pesquisas do Governo apontam que no período de 2018 a 2019 o preço da carne na Argentina subiu em torno de 67,1%. Isso é grave, considerando que no mesmo período de tempo os cidadãos argentinos viram seu salário aumentar apenas 38%. Ou seja: não tem como acompanhar o aumento de preços.

Isso é um problema que não está relacionado apenas a questões de saúde e de nutrição. Claro que ficar sem carne ou adotar uma dieta mais vegetariana pode ser, depois que se habitua a isso, algo positivo. Hoje já é comprovado que uma alimentação não carnívora é tão ou mais saudável quanto aquela que preza pelo consumo recorrente de carne.

A questão é mais cultural, como explicam alguns antropólogos argentinos. As pessoas não fazem churrasco apenas pelo sabor da carne, mas por todo o aspecto familiar, pela tradição, pelo ritual que é estar junto dos amigos e das pessoas queridas.

É, assim como o chimarrão, o futebol e a música, um patrimônio cultural secular da Argentina.

Argentinos ampliam seu conceito de churrasco como alternativa
O churrasco não pode acabar. Por isso a alternativa encontrada pelos argentinos tem sido a mesma dos brasileiros: incorporar outros tipos de carne além da bovina. Frango e porco estão cada vez mais presentes nas grelhas argentinas.

Ainda assim, contudo, o orgulho nacional argentino está ferido. Para eles, mudar o conceito do seu churrasco é tão amargo quanto perder nas semifinais de uma Copa América para o Brasil.

Contudo parece que eles terão mesmo de adaptar a uma nova realidade. Com o crescimento das exportações de carne para países como China, a tendência é que o preço da carne bovina no país continue a aumentar.

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