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Canonização faz de Irmã Dulce a primeira santa brasileira

Cerimônia no Vaticano foi celebrada pelo Papa Francisco e acompanhada por 50 mil pessoas

Rogério Vidmantas
Capital News

Acervo Irmã Dulce

Irmã Dulce

Irmã Dulce agora será conhecida como Santa Dulce dos Pobres

Antes Anjo Bom da Bahia, a partir de agora, Santa Dulce dos Pobres. Assim que Irmã Dulce passará a ser conhecida após a cerimônia de canonização, na manhã deste domingo (13), na Praça de São Pedro, no Vaticano. Agora santa, a baiana é uma das religiosas mais populares do Brasil, graças principalmente ao seu trabalho social, e é considerada a primeira santa brasileira.

 

A cerimônia, chamada Rito de Canonização, foi celebrada pelo Papa Francisco e acompanhada por mais de 50 mil pessoas, segundo o Vaticano. Autoridades brasileiras como o vice-presidente, Hamilton Mourão; o governador da Bahia, Rui Costa; o prefeito de Salvador, ACM Neto; e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, também estiveram presentes. O príncipe Charles, do Reino Unido, também participou da missa. Um dos santos que estavam sendo canonizados é britânico.

 

Milagres

 

Para ser considerada santa, precisariam dois milagres comprovados relacionados à Irmã Dulce. O primeiro aconteceu em 2011, quando ela foi beatificada. A graça alcançada foi a recuperação de uma paciente que teve uma grave hemorragia pós-parto e cujo sangramento subitamente parou, sem intervenção médica. Após beatificada, Dulce Lopes Pontes passou a ser chamada "Bem-aventurada Dulce dos Pobres".

 

O segundo milagre foi reconhecido em maio deste ano. O maestro soteropolitano José Maurício, teve glaucoma e começou a perder a visão em 1999. Em 2000, ele já estava cego, mas em 2014 voltou a enxergar após fazer uma oração para a então beata. Ele esteve no Vaticano e chegou a receber a bênção de Papa Francisco durante a missa de canonização.

 

Biografia

Acervo Irmã Dulce

Irmã Dulce

Trabalho social atendendo os mais pobres norteou a vida de Irmã Dulce

 

Segunda filha do dentista Augusto Lopes Pontes, professor da Faculdade de Odontologia, e de Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes, ao nascer em 26 de maio de 1914, em Salvador, Irmã Dulce recebeu o nome de Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes. Aos sete anos, em 1921, perde sua mãe Dulce, que tinha apenas 26 anos. No ano seguinte, junto com seus irmãos Augusto e Dulce (a querida Dulcinha), faz a primeira comunhão na Igreja de Santo Antônio Além do Carmo.

 

A vocação para trabalhar em benefício da população carente teve a influência direta da família, uma herança do pai que ela levou adiante, com o apoio decisivo da irmã, Dulcinha. Aos 13 anos, Irmã Dulce passou a acolher mendigos e doentes em sua casa, transformando a residência da família num centro de atendimento. Também é nessa época que ela manifesta pela primeira vez, após visitar com uma tia áreas onde habitavam pessoas pobres, o desejo de se dedicar à vida religiosa.

 

Em 1933, após a sua formatura como professora, Maria Rita entra para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, na cidade de São Cristóvão, em Sergipe. Em 13 de agosto de 1933, recebe o hábito de freira das Irmãs Missionárias e adota, em homenagem a sua mãe, o nome de Irmã Dulce.

 

Em 1935, dava assistência à comunidade pobre de Alagados, conjunto de palafitas que se consolidara na parte interna do bairro de Itapagipe. Nessa mesma época, começa a atender também os operários que eram numerosos naquele bairro, criando um posto médico e fundando, em 1936, a União Operária São Francisco – primeira organização operária católica do estado, que depois deu origem ao Círculo Operário da Bahia. Em 1937, funda, juntamente com Frei Hildebrando Kruthaup, o Círculo Operário da Bahia, mantido com a arrecadação de três cinemas que ambos haviam construído através de doações – o Cine Roma, o Cine Plataforma e o Cine São Caetano. Em maio de 1939, Irmã Dulce inaugura o Colégio Santo Antônio, escola pública voltada para operários e filhos de operários, no bairro da Massaranduba.

 

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