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Simone Tebet indica planos para a presidência do Senado

Após ser apontada como candidata a eleição, Simone é a primeira mulher à concorrer ao cargo.

Flavia Andrade
Capital News

Jefferson Rudy/Agência Senado

Simone Tebet indica planos para a presidência do Senado

Após ser apontada como candidata a eleição, Simone é a primeira mulher à concorrer ao cargo.

 

O mandato de Simone Tebet têm se tornado destaque no Senado Brasileiro, a senadora se tornou presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), sendo a primeira mulher eleita ao cargo. Mais uma vez quebrando a linha tradicionalista da Política, Simone Tebet (MDB-MS) foi anunciada nesta terça-feira (12), como candidata a presidência do Senado pelo MDB. 

 

Simone Tebet concorre com outros três colegas do partido (Eduardo Gomes, Fernando Bezerra Coelho e Eduardo Braga) ao cargo de presidente da Casa. Se eleita, Tebet será também a primeira mulher a ocupar a prestigiada cadeira do Legislativo federal. A demora do MDB em apontar o candidato escolhido para o pleito, a senadora relata que a sigla reúne pensamentos plurais, porém busca construir o consenso. Segunda Simone Tebet, “O Senado sempre teve o seu tempo e, diferentemente da Câmara dos Deputados, o processo está apenas começando”, argumenta. Sobre a relação do Senado sob seu mandato com o presidente Jair Bolsonaro, ela garante que o parâmetro será de governabilidade e “do que for bom para o país”, enfatiza.

 

A trajetória de Simone Tebet na política vem de herança de seu pai, Ramez Tebet, presidente do Senado entre 2001 e 2003 e ex-governador do Mato Grosso do Sul, falecido em 2006. Com perfil conciliador, a candidata a presidência afirma que as mulheres, embora sejam maioria na sociedade brasileira, ainda estão ausentes nos espaços de poder do País. Ainda segundo Tebet, “A galeria de fotos dos ex-presidentes do Senado é devedora com as mulheres brasileiras”, enfatiza.

 

Senadora Simone Tebet destaca os principais motivos para o interesse na candidatura a presidência do Senado Federal, ao Jornal Correio Braziliense. Para Tebet, Trata-se de um entendimento, que acredito ser da maioria de senadores, de que o Senado exerça, com independência, sem perder a harmonia, de fato, o seu papel institucional e político, bem a propósito de sua própria história, quando chamado a atuar nas nossas maiores crises. A pandemia do novo coronavírus traz como reflexo uma das maiores crises econômicas dos últimos tempos. O Senado precisa estar cada vez mais próximo dos grandes interesses e necessidades da população brasileira. Nossa agenda deve ser a do desenvolvimento, geração de emprego, reformas estruturantes, recursos voltados a políticas públicas de habitação, saúde, educação. Essas pautas precisam estar na mesa (em 2021). A população brasileira exige respostas urgentes.

 

A demora do MDB à indicação da candidatura deve-se a necessidade do MDB em exercer a democracia internamente para que pudesse pregar a democracia externa. Simone Tebet enfatiza ainda que, O MDB tem uma história de aglutinar diferentes pensamentos. Mas ele também construiu essa mesma história por meio da construção de consensos. Como partido, e com a busca do devido respeito à proporcionalidade que, julgo, ser um instrumento importante na construção da boa política, buscamos, entre os demais senadores, conteúdos e moldes políticos para fazer um Senado que cumpra seu papel institucional com harmonia e independência. Fora disso, de nada valerá a postulação ao cargo. Sei que a razão do tempo muitas vezes conspira, e o processo foi antecipado pelo lançamento da candidatura do Pacheco (Rodrigo Pacheco, DEM-MG) pelo presidente da Casa, mas o Senado sempre teve o seu tempo e, diferentemente da Câmara dos Deputados, o processo está apenas começando.

 

Com relação ao posicionamento do Planalto nas eleições do Senado, Simone Tebet ressalta que, o Planalto deva agir com neutralidade. Existem duas palavras que não precisam ser mágicas, porque elas não saem de cartolas; estão gravadas na Constituição: harmonia e independência. O presidente do Senado é, também e ao mesmo tempo, presidente do Congresso Nacional. Cabe a ele fazer valer e exercitar esses dois postulados constitucionais. O mesmo deve ocorrer com os chefes dos outros Poderes. Quanto à fidelidade do MDB, ela sempre se direcionou às propostas do governo que se mostraram, ou que se mostrem, necessárias ao país, independente de que governo.

 

Em caso de apoio do Executivo ao candidato de Alcolumbre, Tebet declara que, “Não sei se esse alegado apoio é baseado em fatos. O MDB, a meu ver e a meu sentir, vai continuar defendendo o melhor para o Brasil, em clima de harmonia e de independência, repito”.

 

A relação entre a Senadora Simone Tebet e o governo Bolsonaro, é pautado em críticas e apoios as medidas econômicas do Planalto. Tebet pontua que, “Permita-me dizer que a minha atuação política é um exemplo de como é possível pautar-se pela harmonia e pela independência. Eu nunca disse “isso é bom (ou mau) para o governo”. Defendi todas as teses e votei favorável a tudo o que, no meu julgamento e segundo a minha consciência, é bom para o país. Estão errados os que julgam que a independência fere a harmonia. Ao contrário, porque a dependência é que fere a democracia. Os três poderes saem fortalecidos, se obedecidos esses dois postulados”.

 

Sobre a volta do auxílio emergencial, Simone avalia a situação dizendo que, “Essa pressão não se origina nos senadores, mas na realidade brasileira, que se desnudou ainda mais, nesses nossos tempos de pandemia. Uma realidade com as maiores disparidades sociais de todo o planeta. Com o desemprego que já ultrapassou o teto das nossas preocupações. Com a fome que ronda, cada vez mais, as famílias brasileiras, temos de fazer algo, e esse algo tem de ser urgente, porque a fome não espera. A vida é agora. O Senado nunca faltou a esse chamado, vindo na forma de lamentos de dor. Não será diferente agora, independente de quem postula, e de quem assumirá, a presidência da Casa”.

 

Questionada sobre se a invasão do Capitólio nos EUA pode se repetir no Brasil, Tebet diz que, “Não há como negar que a democracia foi atacada lá. Mas a própria democracia demonstrou possuir condições plenas de autodefesa. Também não será diferente aqui. A nossa democracia é mais jovem que a de lá, e sofreu muito mais solavancos ao longo da nossa história, mas ela também se mostra fortalecida. A qualquer movimento de invasão às nossas instituições democráticas, nós estaremos de prontidão com saídas constitucionais”.

 

Caso seja eleita, Simone será a primeira mulher a ocupar a presidência da Casa, e destaca “Agora, em um degrau superior, sinto o mesmo que quando assumi, como a primeira mulher, a presidência da CCJ do Senado: um misto de orgulho pelo fato e de indignação com a história. Afinal, não deixa de ser mais um exemplo de como a mulher brasileira demorou tanto a ocupar espaços de poder no nosso país. Somos a maioria da população, dos eleitores, dos estudantes universitários, e o timbre de voz da direção maior do Legislativo brasileiro continua sendo masculino. A galeria de fotos dos ex-presidentes do Senado é devedora com as mulheres brasileiras”, conclui.

 

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