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Opinião
Domingo, 17 de Novembro de 2019, 09h:57
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Agonia e êxtase da criação

Por Oscar D’Ambrosio*

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Poucos filmes são tão esclarecedores em termos do que é a criação artística como “Agonia e Êxtase”, de 1965. Dirigido por Carol Reed, enfoca os quatro anos em que Michelangelo, interpretado por Charlton Heston, dedicou-se à pintura dos afrescos da Capela Sistina, criando uma obra imortal.

Unesp

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Baseado no romance de Irving Stone, o filme foca a relação conturbada entre o artista italiano, que se considerava muito mais um escultor do que um pintor, e o papa Julio II (Rex Harrison), que, por ter encomendado a obra, exigia de Michelangelo tanto planejamento quanto cumprimento de prazos.

Embora a obra esteja marcada pela ficção, os diálogos entre o poderoso que solicita o trabalho e paga por ele, e o artista que precisa de dinheiro, mas que não abre mão da liberdade e seu processo criativo. é muito interessante e elucidativo. Afinal, essa relação entre o não ter limites da arte e a obediência a normas contratuais permanece complexa até hoje.

As pinturas de Michelangelo na Capela em homenagem a Sisto IV, tio de Julio II, têm como tema os nove episódios do Gênesis. E, para criar esse mundo, o artista tem que recriar a si mesmo. A jornada não foi simples, mas chegou a um termo que tornou a Capela uma referência, sendo utilizada até hoje para realizar, por exemplo, os Conclaves, reuniões dos cardeais para escolher um novo Papa.

Se a agonia de criar está diretamente relacionada a inseguranças e ao medo de estar sempre aquém daquilo que se deseja realizar, o êxtase ocorre quando a obra está finalizada. O ensinamento nesse processo é que as dificuldades encontradas no processo criativo podem ser desafios que funcionam como porta de entrada para um amanhã em que a arte gere uma espécie de intervalo de prazer na dolorida existência.

 

 

*Oscar D’Ambrosio

Jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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