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Sábado, 30 de Maio de 2020, 13h:15
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E daí? Diria Jair Bolsonaro ao procurar o Centrão

Por Júlio César Cardoso*

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O presidente Jair Bolsonaro, acossado por seus equívocos ao lidar de forma não cordial com seus ministros,  com os profissionais da imprensa e desrespeitar as recomendações de isolamento social da OMS, agora sente a sua imagem se desgastar e resolve se socorrer, inclusive para não ser cassado, do colchão do Centrão, recheado de más intenções não republicanas.

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Júlio César Cardoso - Artigo

Júlio César Cardoso

 

De fato, política não é para gente séria. Política no país é a coisa mais sórdida que existe. Veja só, Bolsonaro em campanha empinava a bandeira de combate à corrupção, ao fisiologismo espúrio do toma lá, dá cá, mas não durou muito para o capitão se indispor com Sérgio Moro, considerado o inimigo número um da corrupção e descer ao submundo da política para pedir apoio.

E foi bater na porta do que pior existe em matéria de composição política, o Centrão, ao qual o general Augusto Heleno integrante do governo, em vídeo de 2018, fez as  seguintes considerações pejorativas: “Se gritar pega Centrão (ladrão), não fica um meu irmão”, cantarolou o general.

Assim, depois dessa adesão ao Centrão, a sociedade gostaria de saber se o general Augusto Heleno vai continuar no governo.

Mas vamos a alguns comentários sobre as seguintes manchetes:

(1)    Em troca de apoio, “O governo nomeou o ex-chefe do Procon de Pernambuco para dirigir o Dnocs, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, que tem um orçamento de R$ 1 bilhão, indicado pelo senador Ciro Nogueira e deputado Arthur Lira, do PP”.

(2)    Em troca de apoio, “Um ex-assessor do ex-ministro Geddel Vieira foi nomeado nesta quinta-feira (28/5) a chefe de gabinete do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A nomeação de Marco Antônio Ferreira Delgado foi assinada pelo ministro do Turismo, Marcelo Álvaro, e publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (28/5).”

(3)    “Datafolha: 43% acham governo Bolsonaro ruim ou péssimo. A rejeição é recorde. É o pior índice de aprovação de presidentes desde 1989 a esta altura de um primeiro mandato.”

 

Quem acredita na seriedade e honradez de políticos brasileiros está bêbado ou sofre de alguma enfermidade mental,  tal é a canalhice de suas atitudes. E a afirmação do presidente Bolsonaro que iria combater a velha política era tudo conversa fiada pra boi dormir.

Da mesma forma que o presidente traiu a palavra dada ao ex-ministro Sérgio Moro de que não interferiria na pasta da Justiça, Bolsonaro,  ao se aproximar do Centrão, trai a promessa feita de que combateria a corrupção e a velha prática política. E vejam os exemplos de elementos do Centrão, alguns deles já condenados por corrupção ou ainda respondendo a processos na Justiça: Ciro Nogueira, Arthur Lira, Valdemar Costa Neto, Roberto Jefferson etc.

O país é vítima da manutenção do imoral instituto voto obrigatório,  que elege e reelege essa corja de políticos compromissada apenas com os seus interesses solertes. Trata-se de políticos pérfidos e que depois de eleitos se comportam como se fossem donos de seus mandatos. Respeitamos, no entanto, algumas exceções.

 

 

*Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC

 

 

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