Nos primeiros meses de 2024, Mato Grosso do Sul viu quatro mulheres serem brutalmente assassinadas por seus companheiros ou ex-companheiros. Não foram casos isolados. Foram feminicídios, crimes de ódio que têm como base o machismo estrutural e a crença de que a mulher é posse do homem.
Karina Korin, 29 anos, foi morta a tiros pelo ex-companheiro, que também assassinou sua amiga Aline Rodrigues, de 32 anos. Juliana Dominguez, indígena de 28 anos, foi morta a golpes de foice pelo marido. Vanessa Ricarte, jornalista e influenciadora digital, foi assassinada pelo ex-noivo horas depois de pedir uma medida protetiva. Mirieli Santos, 26 anos, foi baleada pelo ex-marido, que alegou “acidente”. Quatro mulheres que tinham sonhos, família, futuro. Quatro vidas ceifadas pelo machismo.
Como professora, advogada e feminista, minha indignação é imensa. Esses crimes escancaram a falência de um sistema que falha em proteger mulheres. Que mensagem estamos enviando às vítimas quando uma mulher, como Vanessa Ricarte, pede socorro e, horas depois, está morta? Que esperança damos quando medidas protetivas se mostram insuficientes diante de agressores determinados?
Os dados são claros e alarmantes. O Brasil registrou mais de 1.400 feminicídios em 2023, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Em Mato Grosso do Sul, só em janeiro, mais de 1.700 mulheres denunciaram violência doméstica. E sabemos que muitas outras permanecem caladas, por medo ou falta de apoio.
Não podemos continuar normalizando esses crimes. Precisamos de leis mais rigorosas? Sim. Mas, mais do que isso, precisamos mudar a cultura que trata a violência contra a mulher como algo menor, que romantiza relacionamentos abusivos e culpabiliza as vítimas. Educação é fundamental. Desde cedo, meninos precisam aprender que mulher não é propriedade de ninguém. O combate ao feminicídio começa na conscientização.
E para aqueles que dizem “mas nem todo homem é violento”: sabemos. Mas todo homem pode se posicionar contra a violência, pode educar outros homens, pode não se calar quando um amigo faz um comentário machista. O silêncio também mata.
O feminicídio é uma epidemia e, como tal, exige ação imediata e permanente. Não podemos mais esperar o próximo nome para nos indignarmos. A hora de agir é agora.
*Jucli Stefanello
Pedagoga, advogada e especialista em Gestão Empresarial e Recursos Humanos. Atuou ativamente na defesa dos trabalhadores da educação, sendo vice-presidente do sindicato e membro da Federação dos Trabalhadores em Educação de MS. Em 1998, foi pioneira na criação do Conselho Administrativo do Instituto de Previdência Social do estado. Em 2001, teve papel fundamental na criação da Cassems, onde atua como diretora de Clientes, além de ser membro do CONASEMS.
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