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Opinião
Quarta-Feira, 12 de Junho de 2019, 07h:00
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Namoro na adolescência: fato ou fake?

Por Acedriana Vicente Vogel*

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O início da adolescência coincide com o final do Ensino Fundamental, fase em que desabrocham as paixões e, com elas, o convite: "quer namorar comigo?" Se tudo o que é humano não é estranho à escola, o assunto do namoro deve ser tratado com naturalidade. Há adultos que, pelo discurso defendido, deixam a impressão de que já nasceram adultos. Ligam o dispositivo de memória seletiva e apagam as vivências da travessia dos 13 aos 18 anos, em que se articulam medo, angústia e prazer no mesmo segundo de sua vida.

Daniel Derevecki/ Divulgação

Acedriana Vicente Vogel - Artigo

Acedriana Vicente Vogel

 

Namorar é uma ação humana; portanto, faz parte do dia a dia de todos os que se ocupam da educação de adolescentes e jovens e trabalham em favor da grande conquista que é aprender a lidar com as emoções que emanam das relações nos espaços de convivência. Quando ouço de gestores de escolas de Ensino Médio que os alunos não namoram porque é proibido, logo me vem à mente: ah, coitados, como são iludidos! A visão ingênua de que, por ser proibido, não acontece, não ajuda no tratamento, nem acolhe a angústia que esse tema suscita.

Yves de La Taille, psicólogo e referência na área de desenvolvimento moral, defende a construção dos limites no espaço escolar sob três dimensões:

a) Os limites a serem transpostos – encorajar os estudantes a conhecer os próprios limites, a fim de transpô-los, pois, afinal, foi rompendo os limites do seu tempo que, por exemplo, a luz elétrica, o avião e tantos outros objetos foram criados.

b) Os limites a serem respeitados – criados para organizar o mundo social, que qualifica a liberdade em sua relação direta com a responsabilidade. O semáforo, por exemplo, não foi criado para impedir o deslocamento, apenas para organizá-lo.

c) Os limites para a intimidade – essa dimensão é assegurada pela Constituição brasileira e estabelece a diferença entre o privado e o público, bem como o respeito à privacidade e o controle de acesso dos outros à nossa intimidade. Sendo o namoro algo de foro íntimo, pode estar aqui um importante argumento para os que defendem a sua proibição em espaços públicos, como por exemplo, na escola.

Quando compreendemos as três dimensões educacionais do limite e o conceito de liberdade – associado à responsabilidade –, o maior impasse educativo se encontra em discernir se o limite é um convite para o outro lado – transposição – ou uma ordem para respeitar as fronteiras. Quanto mais conhecemos os nossos estudantes e adentramos o restrito espaço de sua convivência, mais entendemos que são criaturas ávidas por limites, interessadas pelas descobertas que ultrapassem o óbvio, desde que sejam tocadas de forma inteligente, estabelecendo e gerenciando vínculos positivos.

Namoro na adolescência é fato, sobretudo no Ensino Médio, e deve ser tratado como todos os assuntos polêmicos, com diálogo franco, a partir da empatia e da generosidade entre as gerações que habitam a escola.

 

 

*Acedriana Vicente Vogel

Diretora pedagógica do Sistema Positivo de Ensino

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