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Opinião
Quinta-Feira, 28 de Maio de 2020, 19h:15
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O hábito faz o monge?

Por Oscar D’Ambrosio*

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O hábito faz o monge? A pergunta é antiga e tradicional, mas se aplica como uma luva ao filme “O Capitão”, dirigido por Robert Schwentke, em que, próximo ao final da Segunda Guerra Mundial, um jovem de 19 anos, faminto e esfarrapado, rouba a farda de um capitão do exército alemão e “veste” totalmente o posto.

Unesp

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Isso significa, no contexto da obra, cometer atrocidades para mostrar o seu falso poder. Inclui humilhar pessoas e leva-las à morte praticando todo tipo violência. Baseado numa história verídica, o filme tem seus melhores momentos nos aspectos psicológicos que rondam a mente de uma pessoa que passa do nada ao exercício autoritário do poder decisório.

O fato de o protagonista liderar um grupo de desertores torna-se praticamente natural. Perante a iminente derrota no conflito global, todo tipo de ação arbitrária local ganha espaço baseada em estranhas justificativas. E as pessoas que seguem o falso capitão compartilham do mesmo sentimento de ódio contra a sociedade e de busca do prazer.

Vestir a farda foi um passe livre para a violência. A hierarquia tudo permite. E qualquer desejo começa a ser satisfeito até que a farsa é descoberta. Pensamentos como a “oportunidade faz o ladrão” são usados em defesa de uma atitude que garantiu a sobrevivência, mas que mergulhou o (pseudo) capitão em um vergonhoso mundo ético e moral.

 

 

*Oscar D’Ambrosio

Jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br

 

 

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