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Quarta-Feira, 21 de Agosto de 2019, 12h:33
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Por Leandro Tortosa Sequeira*

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Sophia vai completar 14 anos. Está muito feliz porque vai ganhar uma bicicleta nova, mas também com um frio na barriga, pois vai mudar de escola. Não que a bike que a leva para as aulas desde os 10 anos estivesse velha, mas é um prêmio dado pelos pais à menina, que fez um bom ensino fundamental e, agora, recebeu o convite de uma instituição pública de ponta para cursar o ensino médio na área de tecnologias de informação. Estudará a poucos minutos de casa por ciclovia. Sophia vai sentir saudades das colegas do curso de francês e de mandarim. Mas mal pode esperar pelas aulas nos laboratórios de Internet das Coisas (IOT) e Big Data.

Divulgação

Leandro Tortosa Sequeira - Artigo

Leandro Tortosa Sequeira


João está na mesma fase. Prestes a entrar no ensino médio, ainda não decidiu se quer tentar medicina, sonho de seu pai, ou outra faculdade que o habilite a um concurso, já que sua mãe diz que “futuro bom é aquele do servidor público”. Também já sente falta dos colegas do treino de futebol e do curso de inglês. Só não está achando muito legal ter que acordar ainda mais cedo para pegar mais um ônibus que o leve ao cursinho onde conseguiu meia bolsa, por ter se saído bem em um simuladão.

Sophia, é holandesa. Já conhece Bélgica, França, Espanha, Portugal, Inglaterra e a terra natal de sua mãe, o Brasil. Adora viajar de trem, que é rápido e barato, acompanhando a paisagem florida de sua região. João faz uma viagem internacional a cada dois anos, para trocar pneu do carro do pai na fronteira. Sophia fica horrorizada com notícias de corrupção, violência e desrespeito ao meio ambiente, comuns no país de sua progenitora. João já cansou de abrir o Twitter e ver os mesmos assuntos… quando é que volta o Brasileirão de futebol?

Em oito anos Sophia e João serão profissionais. Justamente quando o acordo de livre comércio firmado entre Mercosul e União Europeia (junho), deve vigorar plenamente. Sophia vai dirigir um fundo de ativos com bilhões de euros prontos para investimento no Brasil. Mas o promissor empreendimento que João começará, no ramo de pavimentação asfáltica, não estará preparado para atender aos requisitos de sustentabilidade cobrados pelo fundo europeu. Afinal, isso nunca foi muito comum nas licitações ou contratos dos quais nosso amigo participou…

Sophia e João são nomes fictícios de um mundo real. Enquanto João pergunta ao mundo “quer comprar?” (Wil je Kopen, em holandês), Sophia diz “claro, desde que você me comprove que preserva mananciais e florestas, compra legalmente seus insumos e contrata adequadamente seus trabalhadores”. Não é só questão de não jogar lixo no rio, doar mudas de planta no dia do meio ambiente, ou separar as latinhas do que se bebeu no final de semana. O mundo quer que sustentabilidade seja uma forma de pensar e de agir, que leve a práticas disruptivas de relacionamento entre o Homo sapiens e o restante da natureza, na direção de um equilíbrio efetivo.

Devemos entender que, se hoje estamos a apenas poucas horas mal dormidas de qualquer lugar do mundo, no futuro (próximo) o mundo estará aqui. Nosso concorrente não é mais o produtor de orgânicos que vende frutas cultivadas no próprio quintal, ou ainda o food truck que vende cachorro-quente gourmet com Nutella. Enfrentaremos idiomas que não compreendemos, culturas que não conhecemos, práticas produtivas que não dominamos e exigências que nem sempre poderemos atender. E, a única forma de podermos superar isso, é a combinação poderosa, que envolve três simples elementos: educação, trabalho e perseverança. Então, como dizem os japoneses, Ganbatte kudasai! (faça o seu melhor!).

 

 

*Leandro Tortosa Sequeira
Professor, coordenador do curso de Administração da UCDB

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