Campo Grande/MS, Quarta-Feira, 23 de Setembro de 2020 |
27˚
(67) 3042-4141
Opinião
Terça-Feira, 04 de Agosto de 2020, 07h:00
Tamanho do texto A - A+

Paulo Guedes e sua saga contra o servidor público

Por Antonio Tuccílio*

Artigo de responsabilidade do autor
Envie seu artigo para opiniao@capitalnews.com.br

Não é de hoje o desapreço do ministro da economia Paulo Guedes aos servidores públicos brasileiros. Após o infeliz episódio em que o ministro definiu os profissionais do serviço público como parasitas, ele agora quer desvalorizar o funcionalismo com uma nova proposta de corte de salários.

Divulgação

Antonio Tuccílio - Artigo

Antonio Tuccílio

 

Segundo divulgações na imprensa, a proposta agora é insistir no corte do salários mesmo após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de vetar a medida. Como a redutibilidade de salário é inconstitucional, a ideia de Paulo Guedes é promover a redução por meio de Projeto de Emenda à Constituição (PEC), com o pretexto de auxiliar no combate à crise econômica no país, provocada pela pandemia.

Essa iniciativa do ministro ajuda a reforçar a imagem negativa que boa parte da sociedade tem a respeito do servidor público. É preciso derrubar esse estigma dos servidores como algo que onera o Estado. Assim como tantos profissionais, eles cumprem papel essencial na sociedade, e não seria diferente em tempos de pandemia. Afinal, médicos, policiais e bombeiros, entre outros, estão na linha de frente da crise sanitária.

Será mesmo que o grande problema para o ajuste de contas públicas está no funcionalismo público, como insiste o ministro da economia? Levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico(OCDE) e do Banco Mundial mostram que não. Segundo o estudo, no Brasil, os servidores representam 12,1% da população ocupada, enquanto na média dos países desenvolvidos da OCDE o percentual sobe para 18%.

A alta remuneração dos servidores, prometidas em início de carreira, também podem ser excluídas das preocupações do ministro Guedes. Entre julho de 2010 e dezembro de 2019, a defasagem salarial dos servidores foi de 32,6%, como mostra estudo do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal).

Senhor ministro, por favor, mude o foco da sua preocupação. É inegável que daqui para a frente teremos problemas de arrecadação. Então, porque não pensar em ações concretas de desenvolvimento econômico, como a reforma tributária, por exemplo, ou até mesmo a taxação de grandes fortunas, prevista há anos pela Constituição Federal. A democracia se fortalece com o respeito às leis. Querer mudar a regra do jogo em um momento tão delicado como esse torna toda essa questão ilegal e, porque não dizer, imoral.

 

 

*Antonio Tuccílio

Presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP)

 

 

NENHUM COMENTÁRIO

Clique aqui para "COMENTAR ESTA NOTÍCIA" e seja o primeiro a comentar!
Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!

LEIA MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO

Trinix