Divulgação/Conselho Tutelar
Quando socorrida, criança apresentava inúmeros ferimentos por todo o corpo
O delegado da Depca (Delegacia Especializada em Proteção da Criança e Adolescente) da Capital, Paulo Sérgio Lauretto, remeteu nesta sexta-feira (4) à Justiça o inquérito sobre as agressões e tortura levadas a cabo contra o menino S.F.S., de 4 anos.
A criança, que ainda recupera-se na pediatria da Santa Casa, foi espancada pelos tios-avós como parte, supostamente, de um ritual de magia negra. As agressões ocorriam na casa dos acusados, já presos, localizada na Rua Maracajú, no centro da Capital.
No inquérito, que foi concluído em 10 dias, as quatro pessoas acusadas das agressões e tortura contra a criança foram enquadradas nos crimes de tortura e associação ao crime duplamente qualificada.
Se condenado, o casal Conceição Vargas da Cruz, de 31 anos, e Arnaldo Pavão, de 46 anos, tios-avós da criança, além de um sobrinho do casal e uma segunda mulher que também teriam participado dos crimes poderão pegar pena de até 20 anos.
O casal e o sobrinho estão presos na Capital e a outra mulher está detida em Corumbá. Os quatro cumprem prisão preventiva e, salvo alguma decisão contrária da Justiça, permanecerão presos até o julgamento do caso, que não tem prazo para ocorrer.
O delegado Paulo Sérgio Lauretto avaliou que o inquérito contra os acusados foi bem embasado, de forma a evitar a soltura dos acusados e a garantir a condenação das quatro pessoas.
Ele não descarta ampliar as investigações sobre o caso, caso o Ministério Público e a Justiça acharem necessária a coleta de mais evidências sobre os crimes.
Foto cedida/WhatsApp
Três dos quatro acusados pelas torturas contra o menino; eles devem ficar presos até o julgamento do caso
O caso
Nas torturas a que foi submetida, a criança sofreu queimaduras em todo o corpo, teve uma orelha dilacerada e a visão comprometida em um dos olhos. O menino também teve unhas arrancadas e sofreu agressões violentas principalmente na parte do abdômen.
As agressões foram descobertas por assistentes sociais e psicólogos, durante uma visita de rotina desses profissionais à casa dos tios-avós do menino.
O caso foi descoberto em 23 de fevereiro e o menino já foi submetido a pelo menos uma cirurgia na Santa Casa da Capital, para onde foi levado logo após ser encontrado machucado.
Os médicos e psicólogos que acompanham a recuperação da criança não descartam outros procedimentos cirúrgicos para corrigir problemas de visão e na orelha dilacerada da criança, que já passou por uma primeira intervenção.
